Após quase um ano da denúncia ao Ministério Público (MP) relatando os transtornos causados pelo tráfego de caminhões canavieiros em estrada irregular, a prefeitura de Bocaina e uma usina da cidade abriram nova via próximo ao trecho. A alternativa protege área verde institucional e, ao mesmo tempo, não prejudica o escoamento da produção da empresa.
Segundo a prefeitura, abertura da nova estrada, com cerca de 400 metros de extensão, foi concluída há duas semanas, com a safra da cana-de-açúcar em andamento. O trabalho foi feito pelo Executivo, em parceria com a usina. O novo trecho fica distante das casas dos Jardins Xerxes Bartelotti e Nova Bocaina 2 e passa por área da fazenda Ouro Verde.
O município ressalta que a nova via cria uma alternativa para escoamento da produção da empresa, ao mesmo tempo em que acaba com os problemas que eram gerados à população pela passagem de caminhões canavieiros e máquinas pesadas pela antiga estrada, como poeira, barulho e rachaduras em algumas residências do Jardim Xerxes Bartelotti.
Antes de executar o serviço, o prefeito José Carlos Soave (PSB) conta que manteve contatos com os proprietários da fazenda Ouro Verde visando à desapropriação amigável da área por onde passa a nova estrada, mas o processo ainda esbarra em questões como inventário e divisão da propriedade rural.
Enquanto aguarda o processo para dar início à desapropriação, a administração está concluindo o projeto e buscando recursos para a construção de área de lazer no trecho por onde passava a antiga estrada de terra. O espaço receberá arborização, quiosques, iluminação e instalação de bancos.
Relembre o caso
O caso envolvendo a antiga estrada, que já chegou à esfera judicial, vem sendo acompanhado pelo JC desde junho do ano passado. Na ocasião, populares enviaram abaixo-assinado com 35 assinaturas ao Ministério Público (MP) em Jaú denunciando danos em imóveis próximos a estrada supostamente causados pelo tráfego de veículos pesados no local.
Segundo os moradores, a passagem dos caminhões canavieiros pela estrada improvisada, com aproximadamente 700 metros, estaria comprometendo a infraestrutura das casas.
O promotor Daniel Passanezi Pegoraro pediu informações à prefeitura sobre o problema relatado no documento. Como não houve retorno, o município foi novamente oficiado para prestar esclarecimentos em 15 dias.
O prazo terminou no dia 6 de agosto e o município explicou ao MP que estava negociando com a usina alternativas para o escoamento da cana-de-açúcar antes de anunciar o fechamento definitivo da estrada de terra.
Após várias reuniões, a prefeitura notificou a empresa sobre a interdição do trecho a partir do dia 30 de setembro, mas a usina recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar que a autorizava a usar a estrada para escoar sua produção.
Em novembro, a Justiça voltou atrás e a liminar favorável à usina foi suspensa. A Justiça alegou que o local tratava-se de área verde institucional, conforme registro em cartório, e que a empresa poderia utilizar rotas alternativas.