08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Questão de estatística


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No feriado prolongado debruço-me sobre as estatísticas e o porquê de um partido (PT) e uma candidata (Dilma) que em todas as previsões têm nas eleições de outubro a vitória no primeiro turno, mas, apesar disto, demonstram preocupação com uma possível derrota.

Como sempre, os detalhes revelam mais que os números chamados principais. Dilma cai e passa o ponto equilíbrio, ou seja, no Ibope a reprovação de 48% é superior aos 47% que aprovam e isto por si só já sinaliza uma possível derrota no segundo turno e representa também uma queda de 14% (de 43% e 51%) em apenas um mês, considerando que ainda temos 6 meses para a eleição. Realmente existe motivo para grande preocupação.

Outro número que pode ser questionado é o desconhecimento por parte da população dos candidatos da oposição e seu consequente resultado. Dilma, que é conhecida declaradamente por 57% da população, tem 34% da intenção de votos (60%). Aécio, conhecido por 17%, tem 14% (82%), e Campos tem 8% de conhecimento e 7,6 % de votos (93%). Isto é reforçado pelo Datafolha, que detectou que dos 17% que declaram conhecer bem todos os candidatos e que deles 28% votam em Campos e 26% votam em Dilma e ainda 24% votam em Aécio, ou seja, todos empatados dentro da margem de erro.

Daí podemos imaginar que na campanha e depois da Copa, quando teremos os candidatos mais expostos e tendência ao crescimento dos candidatos da oposição, ocorra um novo quadro, podendo até haver em um segundo turno sem Dilma, apenas entre Aécio e Campos, em uma demonstração pacífica do eleitorado contra a forma do PT e de sua liderança, incluindo Lula, governar.

Espero que o PT tenha aprendido e lute democraticamente comparando seus feitos e programa, como sempre fizeram, inclusive nas derrotas seus adversários. E não comece uma guerra de dossiês de aloprados, blog sujos e imprensa amestrada, pagos com dinheiro público. Da mesma forma que por três vezes obteve a vitória por via democrática, sem que seus opositores lançassem mão de expedientes espúrios ou desprovidos de ética.

Desta vez, que os perdedores, sejam quais forem, saibam perder se assim desejarem os eleitores, mas com dignidade, demonstrando amor pelo país e não apenas pelo poder. Sem tentar fazer do Brasil uma grande Venezuela, ao contrário da vontade pacifica sempre demonstrada pela maioria dos brasileiros.

Márcio M. Carvalho