10 de julho de 2026
Nacional

PM investiga a participação de policiais na morte de dançarino

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Militar do Rio investiga a participação de oito policiais militares da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, zona sul do Rio, na morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, 26, conhecido como DG, do programa “Esquenta”, da TV Globo.


O corpo do jovem foi encontrado nos fundos de uma creche da favela horas após um confronto entre criminosos e PMs. De acordo com o comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, foi aberta sindicância para apurar se houve participação dos policiais no crime.


Douglas teria morrido com um tiro nas costas durante troca de tiros de policiais e traficantes na favela do Pavão-Pavãozinho, no bairro de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.


A informação foi dada ontem pela polícia, que no dia anterior indicava como provável causa da morte a queda dele em um barranco.


A morte de DG na noite de terça-feira (22) resultou em protestos com repercussão internacional.


Moradores da favela fecharam ruas de Copacabana, incendiaram pilhas de lixo e apedrejaram prédios perto de locais turísticos, a 50 dias da abertura da Copa.


O dançarino era do grupo funk Bonde da Madrugada, que costumava se apresentar no programa “Esquenta”, de Regina Casé, na TV Globo.


Segundo a polícia, o tiro atravessou o pulmão do dançarino, causando hemorragia interna, e saiu pelo ombro. Mas ainda não se sabia de onde ele teria partido - o projétil não foi encontrado.


“A perfuração por arma de fogo foi fatal”, disse o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.


DG foi morto quando dez policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) do Pavão-Pavãozinho que investigavam uma denúncia anônima encontraram um grupo de traficantes.  Ele estaria na favela para ensaiar com seu grupo e visitar a filha de 4 anos.


Outra morte


No protesto realizado no dia seguinte em Copacabana, um outro rapaz, Edlson da Silva Santos, 27, foi morto com um tiro no rosto, de autoria ainda desconhecida.


Mãe do dançarino, a auxiliar de enfermagem Maria de Fátima da Silva, 56 anos, afirmou ontem ter certeza que seu filho foi torturado e morto pelos policiais militares.


“Ele tinha um corte na cabeça e no nariz. Estava muito machucado, tinha marcas de botas nas costas”, disse.


Maria afirmou ainda ter sido informada de que moradores teriam feito imagens de policiais militares usando luvas cirúrgicas e desfazendo a área do crime. “Meu filho não vai virar um Amarildo”.