08 de julho de 2026
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Iluminados

Por Cinthia Milanez | Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Aceituno Jr.

Escuro nunca mais: Francisco Bino com a esposa Ozélia e o neto Pedro Henrique

Tudo o que a família Bino desejava era sair de escuridão. Depois de sete meses sem energia elétrica em casa, o sonho finalmente virou realidade. Na semana passada, técnicos da CPFL Paulista estiveram no local e proporcionaram o “renascimento” da família, como descrito pelo patriarca Francisco Bino, 58 anos.

Conforme o JC já noticiou, a família Bino mora em uma casa localizada na quadra 2 da rua Olympio Avallone, no Parque São Judas, em Bauru, há cerca de sete meses. Desde então, a única fonte de energia da família era um gerador movido a gasolina, que gastava R$ 15,00 por semana só para eles carregarem os celulares e lavarem as roupas.

Quando Francisco Bino e Ozélia Matheus Bino compraram o terreno, a rede de energia não havia chegado ao endereço, mas, enquanto a família erguia os primeiros cômodos da casa, a esperança era de que a situação mudasse.

Porém, demorou para mudar. Diante disso, Ozélia, aos 56 anos, dividiu o dia a dia às escuras com o marido Francisco, a filha Camila, 31 anos, e o neto Pedro Henrique, 2 anos, por quase sete meses.

De acordo com Francisco, a rotina da família mudou completamente e o gerador movido a gasolina foi deixado de lado. “Era muito ruim ficar sem energia à noite, porque temos criança em casa”, disse.

Outra grande conquista foi poder ver os itens comprados com esforço, finalmente, funcionando. “Além disso, conseguimos utilizar os eletrodomésticos, como televisão e ventilador, que estavam guardados há muito tempo. Parece pouco, mas, para nós, foi um verdadeiro renascimento”, comemora.

Impasse

O Parque São Judas carece de melhorias porque foi regularizado em 1957, antes da lei municipal 6766/79. Pela norma, o município só pode aprovar novos loteamentos desde que contenham infraestrutura básica, como rede de água, esgoto e energia. Antes de 1979, portanto, esta exigência não existia.

A partir dela, para que tivessem seus loteamentos regularizados, os próprios empreendedores passaram a negociar e custear a instalação da rede de energia elétrica junto à CPFL Paulista.

Por meio de nota, a concessionária do serviço informou ao JC em janeiro que, de maneira gratuita, só é “responsável pela construção das redes de distribuição de energia em empreendimentos habitacionais urbanos de interesse social”, caso em que o lote da família Bino não se enquadrava.

Responsabilidades

Da mesma forma, o dono da imobiliária que vendeu o terreno à moradora informou que a tarefa de garantir acesso à energia elétrica não seria dele, mas sim da prefeitura. “É ela quem recebe tributos referentes àquela área há muito tempo. Já a pessoa que comprou estava consciente sobre as condições do terreno, porque mostramos qual era a infraestrutura existente no local”, considera o empreendedor, que preferiu não se identificar. A prefeitura, por sua vez, avalia que a atribuição de prover a iluminação seria da concessionária.