09 de julho de 2026
Internacional

Berlusconi diz que alemães negam existência de campos de concentração

Folhapress
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O ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, prestes a começar a cumprir uma sentença por evasão fiscal, disse na sexta-feira (25) que a Alemanha não reconheceu a existência de campos de concentração durante a Segunda Guerra.

Berlusconi deu a polêmica declaração em uma reunião de seu partido como uma cutucada em seu antigo desafeto Martin Schulz, presidente alemão do Parlamento europeu e candidato da centro-esquerda à presidência da Comissão Europeia.

Referindo-se à outra polêmica surgida em 2003, quando em tom de brincadeira ele ofereceu a Schulz um papel em um filme como "kapo" (detento indicado como supervisor) de um campo de concentração, Berlusconi disse em que seus comentários foram irônicos.

"Eu disse, de forma gentil, que lhe arrumaria um emprego, dado que um diretor de cinema amigo meu estava planejando um filme sobre os campos de concentração alemães", disse. E, em seguida, Berlusconi acrescentou: "De acordo com os alemães, nunca houve campos de concentração".

O Partido Socialista Europeu (PSE), que reúne agremiações europeias de centro-esquerda, descreveu os comentários como "desprezíveis" e pediu que o Partido do Povo Europeu, ao qual a Força Itália, partido de Berlusconi, é afiliada, os condene.

"Estes comentários de Berlusconi são um insulto a todo o povo alemão, não somente a Martin Schulz," disse o presidente do PSE, Sergei Stanishev, em comunicado.

A imprensa italiana repercutiu as declarações de Berlusconi como mais uma "gafe" do ex-primeiro-ministro. David Sassoli, líder da delegação do Partido Democrata (centro-esquerda) no Parlamento Europeu, acredita que as falas são fruto de um "alto teor alcoólico".