09 de julho de 2026
Geral

Bispo fala sobre os novos santos

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Tony Gentile/Reuters

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O bispo da Diocese de Bauru, dom Caetano Ferrari, falou ao Jornal da Cidade sobre a importância dos dois novos santos. Para ele, ambos foram e continuam sendo muito importantes na vida da Igreja.

“João XXIII foi chamado de “Papa Bom”, sobretudo, como pastor e pai. Homem de grande cordialidade, mansidão e alegria. Desejoso de promover “renovação” na Igreja, convocou o Concílio Vaticano II, realizado há 50 anos atrás”, lembra ele.

João Paulo II caracterizou-se como um homem de forte personalidade e dom da comunicação. “Por isso, empenhou-se muito em convocar todos os cristãos a uma Nova Evangelização, nova nos métodos, no ardor e nos meios, mas sempre fiel às verdades da fé com o objetivo de inclusive promover a renovação sempre necessária da Igreja. Por isso, foi o papa que mais viajou pelo mundo, para evangelizar e anunciar Jesus Cristo”, ressaltou.

Max Rossi/Reuters

“João Paulo II foi o papa que mais viajou para anunciar Jesus Cristo”, ressalta dom Caetano

Renovador e progressista

Se o papa João XXIII foi considerado o pai da renovação da Igreja Católica e ganhou fama como progressista por ter promovido o diálogo com outras religiões e até com os que não professam religião alguma, dom Caetano Ferrari faz questão de esclarecer que “as categorias de progressista e conservador surgiram mais tarde à luz da teologia da libertação, que passou a usar termos políticos - por exemplo, esquerda e direita -, como teologicamente corretos, que não têm nada a ver com as intenções do papa João XXIII”.

Para ele, o “papa João XXIII, ao explicar os motivos da convocação do Concílio Vaticano II, disse que o fazia para “o crescimento da fé católica, a saudável renovação dos costumes no povo cristão e a melhor adaptação da disciplina da Igreja às necessidades de nosso tempo”.

E, assim, o Concílio poderia restituir ao semblante da Igreja de Cristo o esplendor dos traços mais simples e mais puros de suas origens. “Em resumo, o Concílio não intentou inventar nada de novo, nenhuma verdade nem ensinamento de fé novos”, enfatiza. Ele lembra que houve também a “renovação” na Igreja, por exemplo na Liturgia, na abertura ao Ecumenismo, na Evangelização etc.

Contato pessoal    

Dom Caetano teve a oportunidade de conhecer o papa João Paulo II,  considerado o papa popular, que tinha um comportamento que contrastava com os hábitos de muitos papas anteriores, mais distantes dos fiéis. “Conheci o papa João Paulo II durante as visitas “ad limina” que os bispos devem fazer de cinco em cinco anos a Roma. Perguntou-me como era a juventude na minha Diocese. Encontrei também com ele na sua primeira visita ao Brasil.”

O líder espiritual da diocese de Bauru comentou ainda coincidência do nome João nos dois santos canonizados hoje. “Na escolha de um nome há sempre a indicação de alguma inspiração. Ambos inspiraram-se no Apóstolo João, o discípulo que o Senhor amava, bom e fiel”.


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