08 de julho de 2026
Geral

Índice de empreendedorismo cresce

Murilo Rodrigues Alves
| Tempo de leitura: 4 min

Sete de cada dez brasileiros que abrem uma empresa tomam a iniciativa por identificar momento favorável para ganhar dinheiro sendo donos do próprio negócio. Em 2002, apenas 42% das pessoas abriam uma empresa por acreditar na demanda de mercado, enquanto os demais viam o empreendedorismo como necessidade, principalmente por não encontrar emprego. Em 2013, esse índice que mede o empreendedorismo por oportunidade subiu para 71%, o maior em 12 anos.

Os dados são da pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor), feita em 68 países, sob o comando da London Business School e Babson College. No Brasil, é patrocinada pelo Sebrae e realizada pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Foram ouvidas 10 mil pessoas de 18 a 64 anos, de todas as regiões, e 85 especialistas em empreendedorismo. A reportagem publica as conclusões do levantamento com exclusividade.

O Brasil teve o melhor desempenho no ranking de empreendedorismo por oportunidade entre os países dos Brics (grupo que reúne, além do Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul). O indicador brasileiro também não ficou muito atrás das chamadas “economias maduras”, como Estados Unidos (78%) e Reino Unido (84%).

Quase metade dos novos empreendedores tem pelo menos o segundo grau completo. Entre os novos empresários que estão cursando ou já completaram o ensino superior, 92% iniciaram o negócio por oportunidade. Segundo Luiz Barretto, presidente do Sebrae, o aumento da escolaridade é um dos fatores que mais fortalecem o empreendedorismo no País. O aumento da escolaridade contribui para que o índice de sobrevivência das empresas continue se expandindo nos últimos anos. De acordo com dados do Sebrae, 76% dos pequenos negócios conseguiram superar a barreira de dois anos de atividade.

Atualmente, os negócios com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões representam 99% das empresas brasileiras: um contingente de aproximadamente 8,3 milhões de CNPJs. Barretto estima que esse segmento cresceu ao dobro do ritmo da economia brasileira em 2013, em torno de 4%.

Jovens

A metade dos negócios com até três anos e meio de atividade tem como donos jovens entre 18 e 34 anos, enquanto nas empresas que estão há mais tempo no mercado apenas 25% são dessa faixa etária Segundo a pesquisa, quase 85% dos brasileiros consideram abrir empresa como boa opção de carreira, bem acima do porcentual dos países que compõem os Brics - Rússia (66%), Índia (61%), China (70%) e África do Sul (74%).


Receita da avó incentivou irmãos a abrir brigaderia

Os irmãos Fábio e Carolina Ludwig sempre foram fãs de um brigadeiro diferente que a avó deles fazia com coco, em vez de chocolate. Essa foi a primeira receita que veio à cabeça quando decidiram abrir em Brasília uma empresa especializada em dar novos sabores a um dos doces mais populares do País.

Há quatro anos no mercado, a Puro Brigaderia oferece 24 tipos diferentes de brigadeiro - de pistache a caipirinha -, mas ainda conserva no menu o segredo da avó. Os pedidos para casamento representam cerca de 80% do lucro em torno de R$ 50 mil mensais. Eles já têm pedidos de entrega para setembro de 2015. Para o mesmo mês deste ano, não há como atender a nenhuma solicitação. “Setembro é o novo mês das noivas”, atesta Carolina.

Também veio da família o espírito empreendedor. Além da empresa de brigadeiros, os dois são sócios do pai em uma escola de cursos profissionalizantes, com faturamento em torno de R$ 80 mil mensais. Fábio decidiu que seria dono do próprio negócio aos 18 anos, quando abriu uma pet shop.

“Olha que nem de cachorro eu gosto. Levei muita mordida antes de decidir vender a loja”, conta ele, atualmente com 34 anos. “Nunca tive medo de arriscar. Claro que muitas vezes rola decepção nos negócios, mas grandes empresários também quebram várias vezes até ficarem no ponto.” Para 57% dos brasileiros entrevistados na pesquisa global GEM, o medo do fracasso não impede de começar novos negócios.


Maçarico

Carolina, atualmente com 30 anos, se dedicava exclusivamente à escola profissionalizante antes de abrir a brigaderia. Formada em administração, ela decidiu fazer junto com o irmão curso de gastronomia em uma universidade da capital federal para oferecerem criações gastronômicas exclusivas a seus clientes.

Uma das ideias da dupla - “maçaricar” o brigadeiro branco com adição de baunilha - mesclou o tradicional doce brasileiro ao famoso créme brûlée. A combinação é o carro-chefe da loja, responsável por 70% dos pedidos.

Os irmãos Ludwig enfrentam problemas semelhantes aos de grandes empresários: a alta do dólar encarece as matérias-primas dos produtos, como o chocolate belga e a baunilha italiana.

Problemas de infraestrutura deixam o chocolate parado dois meses no porto, o triplo do tempo que leva a viagem da Bélgica ao Brasil.

Nos planos dos empresários está atuar no comércio eletrônico. Hoje, eles já entregam brigadeiro em qualquer parte do País usando os serviços dos Correios. Além disso, trabalham em novos sabores. “Estamos sempre fazendo novas experimentações. Não podemos ficar parados senão perdemos dinheiro”, afirma Carolina.