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Fotos/Quioshi Goto |
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Lívia Konda Inoue começou a tocar taikô com 5 anos |
Não é preciso ter cédula de identidade antiga para lembrar da época em que os japoneses priorizavam amizades e principalmente matrimônio entre famílias de origem nipônica, mesmo vivendo no Brasil. Quando criança, Márcia Goto, atualmente com 42 anos, era proibida pela avó de conversar com os nascidos no País de bandeira verde e amarela. Ontem, na 63ª edição do Undokai, realizado no Recanto Tenri, ela se surpreendeu positivamente com a maciça presença de ocidentais, na tradicional festa da ‘Terra do Sol Nascente’.
Mais da metade dos cerca de três mil presentes não tinham os olhos puxados como Márcia, que voltou ao Brasil há dois anos, com o filho Éric, de 20 anos, nascido e criado no Japão. O marido, Sergio Goto, que assim como ela tem ascendência nipônica mas é brasileiro, retornou há seis meses do Japão.
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Corrida do limão e outras atividades reúnem todas as idades |
Para eles, o vaivém dos dekasséguis ajudou a despertar nos brasileiros o interesse pela Cultura Oriental. Por sua vez, os japoneses também estão mais abertos aos brasileiros, superadas as barreiras da língua, religião e cultura. Pudera, em 2008 fez um século que aportava em Santos o Kasato Maru, navio que trouxe 165 famílias de japonesas.
Maior
“Já são mais de 100 anos de história. Ou se acostuma ou vai embora”, comenta em tom descontraído Tetuo Itikawa, presidente do Clube Cultural Nipo-Brasileiro de Bauru, instituição que promove o Undokai com o objetivo de divulgar a cultura japonesa. Ele lembra que, em Bauru, a comemoração começou pequena.
Reunia cinco ou seis famílias orientais, no Horto Florestal, para um piquenique. Ontem, famílias também aproveitam pratos típicos sob a copa das árvores, enquanto muitas outras participavam de torneios e apresentações. A grandiosidade do evento chamou atenção de Éric, acostumado a participar do Undokai no Japão.
“Lá ele é realizado nas escolas, empresas, em uma determinada comunidade. São menores. Aqui, reúnem todos no mesmo lugar. Fica maior”, explica. Concorda com ele o aposentado Shozo Nakamine, 66 anos, que veio com a família para o Brasil quando tinha 10 anos. Ele destaca que, na ‘Terra do Sol Nascente’, pais e mães são responsáveis em levar obentô, ou seja, o alimento degustado na festa, sempre realizada no outono por conta do clima.
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Corrida da Centopeia na festa do Undokai em Bauru, ontem |
Taikô atrai adeptos de todas as idades
Energia emanada pelo som do instrumento de percussão chama atenção de músicos, que precisam de várias habilidades para garantir batidas fortes
Instrumento de percussão, o taikô exige habilidade rítmica, preparo físico, coordenação, disciplina e concentração para que seja possível sustentar batidas harmônicas. A força do som retorna ao sushiman Renan Augusto Macedo, 24 anos, em forma de energia.
“Traz bem-estar”, destaca o ocidental apaixonado pela cultura oriental, que treina o instrumento junto com Lívia Konda Inoue, 6 anos. Caçula entre os músicos, há um ano ela aprende a tocar o instrumento, assim como outros membros da família.
Para muitas famílias de ascendência oriental, disciplina e respeito são valores a serem transmitidos de pai para filho. “São os pais que educam os filhos, não escola ou funcionários. Isso é uma missão da família e vem de geração em geração. É um exercício cotidiano”, comenta a professora Gina Mitsunaga Kijima, enquanto assistia à apresentação do filho Danilo Yuji Kijima, 10 anos.
Ex-namorada de Pelé volta 32 anos depois
Dificuldades da vida impediram que Neuza Kitizo Uyheara frequentasse em Bauru a festa de origem nipônica, assim como sua família
Conhecida como a primeira namorada de Pelé, Neuza Kitizo Uyheara, participou ontem da 63ª edição do Undokai, realizado no Recanto Tenri. Dificuldades pessoais impediram de participar da festa por 32 anos.
Embora tenha conhecido o Rei do Futebol, com quem mantém contato até hoje ao ponto de chamá-lo de Deco, assim como toda família dele, casou-se com um Uyheara e teve três filhos. O mais novo não tinha nem 3 anos quando perdeu o pai para um acidente vascular cerebral.
“Os criei sozinha. Mas graças a Deus, todos casaram muito bem”, garante. Depois do êxito da educação dos filhos, Neuza ainda enfrentou problemas de saúde, que dificultavam programas fora de casa. Ontem, porém, foi ‘arrastada’ por uma amiga de mais de 50 anos.
Garante que entre suas amizades leais está a de Pelé, segundo quem Neuza foi sua primeira paixão.