Uma assembleia realizada na sede do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (Sindtran) resultou em atrasos de algumas linhas de ônibus na manhã desta segunda-feira (28), em Bauru. Segundo a Associação das Empresas do Transporte Coletivo (Transurb), ao menos 45 ônibus deixaram de rodar durante toda a manhã nos bairros e necessitaram terem suas linhas redistribuídas por falta de motoristas.
A assembleia no Sindtran reunia todos os associados para uma votação que decidiria sobre a expulsão do líder da oposição sindical Valter Dutra Pereira, que também seria acusado pela entidade de chefiar uma invasão ocorrida no local em 2011.
Após cerca de sete horas de votação, Dutra teve sua filiação validada novamente no sindicato e os motoristas, a maioria da empresa Sem Limites, voltaram ao trabalho normalmente.
O serviço segue, portanto, normalizado nesta terça-feira. E não há previsão de novas paralisações nos próximos dias.
Paralisação
Os atrasos nas linhas dos circulares por falta de motoristas já aconteciam por volta das 6h desta segunda-feira, conforme o JC constatou.
Das 164 linhas operadas pelas empresas Grande Bauru e Baurutrans, 117 tinham ido às ruas por volta das 6h30. Cerca de uma hora depois, o efetivo conseguiu atingir 100% dos bairros com o auxílio de alguns motoristas do período noturno e folguistas, que cobriram aqueles que optaram por participar da assembleia.
Por volta das 10h, cerca de 150 motoristas das várias empresas e transportadoras de Bauru estavam na sede do sindicato para a votação.
Desses, ao menos 80 eram apenas da empresa Cidade Sem Limites, que teve que ter suas linhas completamente redistribuídas para as outras duas empresas.
Segundo a Transurb, apenas 15 dos 60 veículos saíram da garagem, hoje de manhã, nesta empresa. A atividade, porém, foi normalizada com a chegada dos motoristas do período da tarde.
Polêmica
A possibilidade de paralisação no transporte coletivo por conta do encontro era alertada há pelos menos uma semana, segundo a categoria.
"O sindicato convocou uma assembleia para as 8h de hoje. Ela deveria ocorrer em três horários, para que todos pudessem participar", afirma o motorista Richard da Cruz Fernandes.
O advogado da oposição, Marcos Fernando Alves Moreira, explica que os trabalhadores tentaram a mudança do horário da assembleia junto à Justiça, mas tiveram o pedido indeferido.
“A juíza indeferiu a mudança de horário, mas mandou que dois oficiais de justiça acompanhassem o processo todo de votação para que houvesse lisura”, afirma Moreira.
Convocada pelo Sindtran, a assembleia teve início por volta das 8h e terminou por volta das 12h30, com a vitória de Dutra.
Após o resultado, os trabalhadores voltaram ao trabalho e conseguiram negociar o desconto das sete horas paradas.
No entanto, antes da negociação, os funcionários da Sem Limites cogitavam paralisar novamente o transporte, caso as empresas resolvessem descontar, em folha, o período despendido no sindicato.
Contrário
Em conversa com o JC, a presidência do Sindtran se manifestou contrária à paralisação. “O sindicato não teve nada a ver e nem apoiou nenhuma paralisação. Essa assembleia foi para resolver um problema interno”, afirma o presidente do Sindtran, José Rodrigues da Silva.
“Não existia a necessidade de falta ao trabalho. É uma assembleia para todos os sócios, não só para os que trabalham em empresas de ônibus. A juíza decidiu que não havia necessidade de fazer em três horários. Então, se houve falta é problema deles e da empresa. Nós só cumprimos o estatuto”, acrescenta o assessor da diretoria do Sindtran, Nélio Souza.
Interdito
Nas últimas semanas, uma panfletagem na porta das garagens na intenção de chamar os associados para a votação em favor do líder da oposição, chamou a atenção das empresas de transporte coletivo.
Elas temiam que a ação gerasse uma paralisação total dos condutores. Na última sexta-feira, a Baurutrans, a Grande Bauru e a Cidade Sem Limites conseguiram, junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região (TRT15), um Interdito Proibitório, proferido pela juíza substituta Zilah Ramires Ferreira, por meio da 2ª Vara. O documento proibia que membros da oposição sindical impedissem os funcionários das empresas de adentrarem ao trabalho, sob pena de multa e força policial.