11 de julho de 2026
Nacional

GO: Menino de dois anos fica 50 dias com bateria dentro do nariz

Por Juliana Coissi | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Um menino de dois anos de idade ficou por 50 dias com uma bateria de brinquedo dentro do nariz em Goiânia (GO). O material do objeto metálico vazou e causou lesões no septo nasal da criança.

A família do garoto pretende processar a Unimed de Goiânia, sob o argumento que o menino foi atendido seis vezes no pronto-socorro infantil do convênio sem que o objeto tivesse sido identificado pela equipe médica.

Questionada, a Unimed Goiânia não informou se abriu algum procedimento para identificar possíveis erros no atendimento. Em nota, disse apenas que "está atenta ao fato ocorrido" com a criança e que "está tomando as providências cabíveis".

Segundo o pai de Henrique, o corretor de imóveis Dihosley Silva Santos, 28, o produto químico da bateria, pequena e redonda, de cor prata, causou a perfuração total do septo nasal.

Ainda de acordo com o pai, o otorrinolaringologista que removeu a bateria disse que a reconstrução do septo de Henrique só será possível quando ele completar 16 anos. Até lá, provavelmente a criança enfrentará problemas de respiração, rinite e mau cheiro na cavidade nasal.

A família diz não saber como o garoto, caçula de três meninos, introduziu a bateria no nariz. As queixas de Henrique começaram em fevereiro. Ele apresentava febre, coriza no nariz e respirava apenas pela boca.

Segundo o pai, no primeiro atendimento na ala de emergência infantil do Serviço de Atendimento Unimed, no setor Oeste, o médico disse se tratar apenas de um resfriado. Dias depois, eles voltaram à unidade, já que a febre não havia cedido.

Nesta ocasião, afirma Santos, outro médico plantonista suspeitou de sinusite. Em outros três atendimentos, foi cogitada ainda virose e anemia. Henrique passou a tomar antibióticos e corticoides. "Os remédios apenas controlavam a febre, mas a coriza continuava, e ele sentia dificuldade de respirar", disse.

Segundo o pai, nos cinco primeiros atendimentos, nenhum médico examinou o nariz da criança ou pediu um raio-X, que poderia identificar o objeto metálico. "Minha mulher chegou a pedir o raio-X, mas o médico disse: "Não, mãe, porque ele é muito pequeno"", afirma o pai de Henrique.

O caso só foi descoberto no começo de abril. No dia 1º daquele mês, Henrique brincava em um pula-pula. Ele caiu na própria lona do brinquedo e chorou de dor. No dia seguinte, a professora da creche viu no nariz um material metálico. "Acho que, com o impacto do pula-pula, a bateria desceu e ficou visível", disse.

A criança foi então levada, pela sexta vez, ao mesmo pronto-socorro. Desta vez, foi marcada cirurgia no dia seguinte para remoção da bateria.

Prevenção

Aspirar ou engolir moedas, baterias e objetos plásticos não é uma situação rara entre crianças pequenas, segundo o médico Alessandro Danesi, pediatra da equipe do Hospital Sírio-Libanês.

No caso de pilhas e baterias, o perigo é que esses objetos contêm material radioativo, que podem ser absorvidos pelo organismo, lesionar mucosas ou cartilagens e provocar infecções graves.

Prevenir este tipo de incidente, diz o pediatra, deve ser prioridade para os pais assim que o bebê começa a engatinhar.

"Precisa colocar redes e travas em casa, evitar objetos pequenos espalhados no chão e tomar cuidado com produtos de limpeza, porque podem lesionar o trato digestivo".

Outro ponto é observar sinais na criança doente (secreções, por exemplo) e valorizar o que o paciente, mesmo pequeno, está informando --como se ele aponta ou cutuca o nariz. "Não é possível voltar várias vezes ao pronto-socorro com a criança mostrando a mesma queixa e que não seja nada".