08 de julho de 2026
Geral

Em dificuldades, Ajax tem paralisação

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Odia nem havia amanhecido, mas os funcionários da Ajax Baterias resolveram paralisar as atividades. A empresa demitiu 340 trabalhadores nos últimos 15 dias e, segundo os servidores, não tem como pagar as rescisões. Os metalúrgicos só vão sair de lá se o resultado da audiência junto ao Ministério Público do Trabalho, marcada para amanhã, às 15h, for positivo.

De acordo com Candido Augusto Gonçalves Rocha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos de Bauru e Região (Sindmetal), além dessa demissão em massa, a empresa atrasou o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), atrasou salários e alguns trabalhadores que saíram de férias não receberam.

“Na Ajax, antes das demissões, trabalhavam 1.400 funcionários em três turnos. Nós conseguimos convencer todos a aderirem à paralisação. Os administradores não interagem com os funcionários, que não sabem se vão receber ou, até mesmo, se terão emprego. Como a empresa está intransigente para negociações, nós vamos permanecer parados aqui até a audiência”, explica.

Em nota, a Acumuladores Ajax Ltda afirmou que a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial em dezembro de 2013, deferido no mês de março deste ano, com o objetivo de reestruturar e organizar a situação. Diante disso, a Ajax teve de efetuar a dispensa de 340 colaboradores, mas manteve intactos 1.370 postos.

Além disso, a empresa informa que a demissão foi necessária para a readequação interna pela qual está passando. A Ajax também mantém efetivas negociações com a entidade que representa a classe, enveredando todos os esforços possíveis para um desfecho positivo de todas as partes envolvidas.

“Em relação ao atraso de verbas rescisórias de pessoal, é decorrente das dificuldades da empresa. Frisamos que, somente hoje (ontem), a Ajax efetuou oito rodadas de negociações. Além disso, há semanas a empresa mantém contato com o sindicato, esclarecendo as dificuldades e explicando como está conduzindo a solução das dificuldades, tudo dentro de total transparência”, disse a empresa em nota.

Incertezas

O operador de máquinas Antonio José Pereira trabalhou por 10 anos na empresa, mas foi mandado embora na quinta-feira. “Nós não temos FGTS há anos. Eu preciso do dinheiro da rescisão, tenho esposa e filha para sustentar”, diz. O clima é de incertezas.

Os trabalhadores passaram o dia em frente à sede da empresa, localizada no Distrito Industrial 1. No início da noite, um efetivo da Polícia Militar (PM) foi destinado ao endereço. “Nós reconhecemos o direito de greve dos trabalhadores, mas estamos aqui para garantir a segurança de todos”, afirma o major Flávio Jun Kitazume, comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI).