Sob pressão de governistas e oposicionistas, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu dar início na próxima semana aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar as suspeitas de irregularidades envolvendo a Petrobras.
Após um dia de idas e vindas, Renan chamou na noite desta quarta-feira (30) deputados e senadores da oposição e anunciou que reunirá líderes do Senado e da Câmara na terça para pedir indicações dos integrantes para compor a CPI.
Na reunião, o peemedebista anunciou que serão instaladas a CPI exclusiva do Senado e também a CPI mista, de deputados e senadores, para investigar a estatal. O Planalto resiste à comissão mista por avaliar que uma CPI só de senadores é mais fácil de controlar.
Além da oposição, Renan estava sendo pressionado pelo próprio PMDB, especialmente por deputados como o líder do partido, Eduardo Cunha (RJ) e o presidente da Câmara, Henrique Alves (RN).
Os dois estiveram na terça-feira (29) com o vice-presidente Michel Temer (PMDB) para discutir uma solução para a investigação sobre a estatal.
Nos bastidores, senadores da base aliada avaliavam que os debates só no Senado renderiam menos ataques ao governo e à presidente Dilma Rousseff em ano eleitoral, quando muitos deputados buscam “holofotes” para suas campanhas.
A resistência de Renan levou a oposição a ameaçar denunciá-lo ao Ministério Público e ao Conselho de Ética do Senado caso a CPI mista não decolasse. Os deputados cogitaram pedir o impeachment do peemedebista, mas as regras do Congresso não viabilizam essa alternativa.
Renan argumentava que a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber, que determinou a instalação imediata de CPI apenas para investigar a Petrobras, não se aplica à comissão mista de inquérito.
O governo pretende sepultar a CPI mista e retardar o início dos trabalhos pelo menos até o dia 20, quando deve haver sessão do Congresso. Em junho, o Legislativo reduz o ritmo de trabalhos devido à Copa e às eleições.