Bispo emérito da cidade de Goiás (GO) e um dos criadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduino morreu na noite desta sexta-feira (2), aos 91 anos.
De acordo com nota divulgada pela pastoral, o frade dominicano estava internado desde 24 de abril no Hospital Neurológico, em Goiânia, e morreu em decorrência de uma embolia pulmonar.
"É uma perda muito grande. Ele era uma liderança na discussão com o governo e com os pobres sobre a questão da terra", diz Isolete Wichinieski, coordenadora da pastoral.
Balduino teve papel de destaque dentro da Igreja Católica nas questões da reforma agrária e indígena. Participou da criação do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), em 1972, do qual foi presidente entre 1980 e 1984, e da Comissão Pastoral da Terra, em 1975.
Nascido em Posse (GO), também foi presidente da CPT entre 1999 e 2005.
Balduino era formado em teologia e filosofia --disciplina da qual ele também foi professor. Em 1965, enquanto trabalhava com índios na Pastoral da Prelazia, no Pará, concluiu o mestrado de antropologia e linguística.
Na época, o religioso estudou e aprendeu kayapó, língua dos índios xicrin e kayapó, e teve contato pela primeira vez com conflitos de terra entre empresas agropecuárias, posseiros, índios e trabalhadores rurais.
Crítico da ditadura brasileira (1964-85), foi nomeado bispo da cidade de Goiás (GO) em 1967. Na ocasião, costumava reunir lideranças de trabalhadores rurais durante a ditadura brasileira para discutir estratégias de luta contra latifundiários.
O corpo de dom Tomás Balduino será velado na Igreja São Judas Tadeu, em Goiânia, até as 10h de deste domingo (4). Em seguida, será transladado para a cidade de Goiás, quando será sepultado na catedral.