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O cheirinho bom de pão caseiro saindo do forno é presença constante na casa de Celso Martins. Toda manhã é assim: ele acorda cedo, produz cerca de 80 unidades pequenas e oito grandes, embala e faz as entregas para os clientes residenciais e do comércio.
O sucesso do pão artesanal do morador da quadra 6 da rua Cabo Henrique Ivano Kamervorak, no Nova Esperança, é tamanho, que ele optou por deixar o emprego de porteiro para se dedicar à padaria caseira. “Eu fiz curso de panificação há uns 20 anos, quando estava sem emprego. Fiz pães por um tempo, depois passei a fazer menos porque comecei a trabalhar como porteiro, mas nunca deixar de colocar as mãos na massa. Há algum tempo, percebi que as encomendas começaram a aumentar. Saí do meu trabalho para me dedicar aos pães”, enumera.
Segundo Celso, dá para tirar até R$ 270 por dia com a venda dos pães. “É aquela coisa: trabalhando bem, o resultado sempre vem, né!” Mas trabalhar em casa tem gerado mais do que uma boa renda para Celso: tem proporcionado mais tempo livre, que ele usa com a família, por exemplo. “Em casa eu fico mais à vontade. Sou mais feliz trabalhando assim”.
Ajuda para pagar a faculdade
Sem emprego, a estudante de Letras Ananda Carvalho estava pagando as mensalidades da faculdade com o dinheiro da poupança, mas encontrou no mel e no chocolate a fórmula para pagar o curso e garantir a carteira de habilitação.
“Comecei a fazer o doce há dois meses quando percebi que o dinheiro da poupança poderia ser útil para eu tirar minha carteira de motorista. Procurei emprego, mas não encontrei um que pudesse ser conciliado com o meu horário de estudo. E a sugestão de ir para a cozinha veio de uma prima, que sabe do meu gosto por doces”.
Com o noivo, Ananda pesquisou os melhores preços e ingredientes e começou sua produção. E tem dado certo, garante a estudante.
Duas mensalidades da faculdade já foram pagas com o dinheiro dos pães de mel, vendidos na faculdade, para amigos, parentes e até de porta em porta.
“Não mexi mais na poupança. Faço o possível para vender umas 40 unidades por semana, a R$ 3 cada. Também posso fazer meus horários, decidir o melhor dia pra fazer o pão de mel... Só não gosto muito de embalar os doces, então, conto com a ajuda do meu noivo”, diz, com bom humor, a moradora da quadra 5 da rua Sargento José dos Santos, no Jardim Nova Esperança.
Bem caseiro
Com o mínimo de produtos industrializados possível. Assim são feitos os doces e salgados de Célia Fernandez Bonini, moradora da quadra 2 da rua Lúcia Boni São Pedro, no Parque Nova Bauru. Ela, que trabalha fora como empregada doméstica, completa o orçamento do mês com as encomendas que recebe. E são muitas.
“Como não tenho muito tempo, eu aceito encomendas mais em datas comemorativas, porque não posso fazer todos os dias. Entretanto, minha intenção é ampliar e reformar a minha casa para parar de trabalhar fora e me dedicar à culinária”, projeta.
Entre tortas doces e salgadas, bolos, calzones, pães de mel, cupcakes e outras gostosuras, Célia conta que aprendeu a cozinhar fazendo cursos e que, atualmente, está se aperfeiçoando no Senai. “Além disso, eu gosto de fazer desse jeito, tudo bem caseiro e com carinho”, frisa.