08 de julho de 2026
Regional

Café sofre com a seca e preço está em alta de 100%

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A região de Bauru já foi considerada cafeeira e possuía a maior fazenda de café do mundo, a Val de Palmas que colhia oito milhões de sacas do produto. Foi visitada pelo então presidente da República Getúlio Vargas. Há 10 anos, a região tinha plantações de café numa extensão que ia de São Manuel até Marília, especialmente no município de Garça. O preço baixo da cultura agrícola fez com que os cafeicultores desistissem e a terra fosse cedida à cana-de-açúcar, eucalipto e outras atividades. Este ano, a quebra da safra, provocada pela seca, chegou para dar um alento aos plantadores. Subiu 100%.  “O preço do café mudou nos últimos 40 dias. Subiu 100% praticamente. A seca  castigou e a colheita deste ano deve ter uma quebra em torno de 20%. Isso representa de 5 a 10 milhões de sacas. Estávamos com quatro safras cadentes. O Brasil, nos últimos quatro anos, produziu cada vez menos. Uma série de fatores influenciaram: preço, descapitalização e o clima. Este ano vamos produzir menos do que em 2013, no ano passado produzimos menos do que no anterior e assim por diante,” explica Maurício Lima Verde, representante brasileiro na Organização Internacional do Café (OIC).

Na opinião de Lima Verde, a situação é atípica. “Há três meses a saca do café com 60 quilos estava sendo vendida de R$ 220,00 a R$ 230,00. O preço subiu e chegou a R$ 480,00. Baixou para R$ 430,00 e deve permanecer em torno de R$ 400,00. O mundo produz 140 milhões de sacas e consome a mesma quantidade, com pequenas variações. É uma situação muito equilibrada, não tem sobra. Se há uma quebra provoca alta. Esta alta nunca houve na história, uma elevação tão grande na Bolsa de Nova York.”

O Brasil é o maior produtor e o segundo consumidor de café do mundo. Tem dois milhões de hectares e dois bilhões de pés de café. O Estado de São Paulo que produzia três a quatro milhões agora está produzindo menos. “O café está fugindo do Estado porque aqui a terra e mão de obra estão muito caros. Há outras alternativas de plantio. Minas produz 60% da safra brasileira porque lá não tem opção de cultura. Rondônia está produzindo café.”

A previsão de colheita de café no mundo, de acordo com a Bolsa de Nova York, era de 50 milhões de sacas, mas  deve colher em torno de 40 milhões de saca, diz Lima Verde.