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Fotos: Quioshi Goto |
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A dona de casa mostra a faca de cozinha que o filho costumava usar para fazer as ameaças |
Na semana que marca a aguardada data do Dia das Mães, um caso entristece Bauru. A idade da vítima é 62 anos, mas a inocência e o coração são de quem ainda gosta de bonecas. “Eu amo as minhas bonecas. Agora, posso deixar elas em cima da cama”. A dona de casa, mãe de quatro filhos, conta um filme de terror desde que o caçula começou a usar entorpecentes, com apenas 10 anos. Depois de diversas tentativas, anteontem ela o denunciou por estupro e agressão. O filho foi preso.
O caso foi noticiado com exclusividade pelo JC no “Última Hora” da capa de ontem. O homem, de 36 anos, foi detido em flagrante pelo crime. “Quero que mande ele para bem longe”, desabafou a mãe.
A reportagem teve acesso ao nome e foto do acusado, contudo, para evitar a identificação da mãe, eles foram preservados e não serão divulgados pelo Jornal da Cidade.
Impossível não se comover com a história de vida da vítima. Conhecida pelos vizinhos como uma mulher calma e doce, ela abriu as portas da sua casa e o coração também como forma de apelo.
“O meu filho começou a usar entorpecentes com 10 anos. Tenho outros três filhos, são dois homens e uma mulher, e ele é o caçula. Quando descobri, alertei meu ‘véio’ (ex-marido), mas ele não me ajudou muito. Dizia que era eu quem dava o dinheiro, mas o dinheiro que eu dava não era para ele comprar droga”, contou.
O tempo foi passando e a história começou a se tornar cada vez mais monstruosa. “Ele começou a roubar (tem passagens por roubo, furto e tráfico) para sustentar o vício. Os outros filhos seguiram seus caminhos e, com o tempo, meu ‘véio’ abandonou a casa. Ficamos só eu e o caçula”.
Agressivo
Enquanto muitos filhos ficam em suas antigas casas para ajudar os pais, esse não foi, nem de perto, o caso. Ainda adolescente, o garoto era bastante agressivo. Foi apreendido com 16 anos e, em seguida, preso novamente por tráfico de drogas. Foram 13 anos de reclusão, um certo tempo de “descanso” para a mãe, que o visitava constantemente em um presídio da cidade de Andradina.
Quando o jovem deixou a prisão, voltou para casa. Continuou usando entorpecentes e agredindo os irmãos. “Uma vez, ele deu uma facada nas costas do meu outro filho, agredia minha filha com um rodo. Então, todos foram se afastando. Ele me agredia, jogava as minhas coisas no chão. Eu chamava a polícia, mas não conseguia colocar ele para fora de casa, sou mãe!”, exclamou, com lágrimas nos olhos.
Dentre as diversas queixas feitas às polícias Militar e Civil, uma registrada em maio de 2012 e outra em setembro de 2013 resultaram em duas medidas protetivas que exigiam que o filho mantivesse distância da dona de casa. O problema é que o coração de mãe falou mais alto.
“Mas eu não podia deixar ele na rua. Quando isso acontecia, ele falava: ‘e aí, véia. Para onde eu vou agora?’. Eu acabava deixando ele ficar. Por isso, todos se afastaram de mim. Somos só eu e Deus”. Com a prisão, finalmente, agora é só Deus e ela.
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Ele chegou a dizer: ‘reza senão eu te mato’”, relembrou a mãe |
‘Ele me bateu e ficou se esfregando em mim’
A mãe relata que as agressões foram piorando ao longo do tempo. No ano passado, os fatos começaram a se agravar, quando, de acordo com ela, o acusado a agredia e a estrangulava, tapando sua boca para ficar quieta, enquanto se “esfregava” nela.
“É uma luta há três anos. Ele me bate, depois fica me alisando e se esfregando em mim. Ontem (anteontem) ele chegou da rua era 10h e disse ‘Você tem que ficar bonita pra eu ver’. Me jogou no sofá sentada. Eu tentei gritar, mas ele tapou a minha boca. Ele me ameaçava com uma faca de mesa e me estrangulava. Pedia para eu ficar de pé e ficava fazendo movimentos de sexo comigo de frente e de costas. Ele não ficava nu, mas eu tenho que ficar ali, senão ele me matava. Ele chegou a dizer: ‘reza senão eu te mato’”, relembrou a mãe.
Depois de tudo isso, o filho saiu, retornou por volta das 14h, com novas agressões e insinuações. “Jogou as laranjas que eu tinha comprado em mim. Jogou as panelas no chão. Eu estava lavando roupa no tanque quando ele chegou e começou a fazer os movimentos de novo comigo. Nessa hora, fiquei tão nervosa que acabei fazendo xixi. Consegui escapar de casa quando ele entrou no banheiro e trancou a porta. Mesmo toda suja, fui até o orelhão e chamei a polícia”, relatou.
O filho foi preso e levado até a Cadeia Pública de Barra Bonita. “Tomara que ele fique preso por muitos anos. Quero ter paz. Sou diabética desde que ele começou a usar drogas. Não mereço tanto sofrimento”, finalizou.
Hoje, a vítima passará por exames no Instituto Médico Legal (IML), que subsidiarão as investigações do setor de defesa à mulher da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru.
Vale destacar que a revisão na legislação, em 2009, passou a considerar como estupro todos os demais atos libidinosos que não necessariamente a conjunção carnal.
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As bonecas da mãe supriam a falta de carinho do caçula descrito como agressivo: “Agora, posso deixar elas sobre a cama” |