09 de julho de 2026
Polícia

Polícia procura pais de menino

Por Marcus Liborio e Ana Borges | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.

Menino de 3 anos brinca em 'motoca'

O caso de abandono de uma criança de aparentemente 3 anos de idade ainda segue como uma incógnita. Nem a mãe do menino e nem outro familiar ou responsável foram localizados pela  polícia ou algum órgão público para esclarecer o caso, que, até o momento, é visto como um mistério.

Conforme o JC noticiou com exclusividade ontem, o menino foi encontrado sozinho andando pela rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, e acolhido por uma dona de casa que reside na Vila São Paulo. A Polícia Militar (PM) e o Conselho Tutelar foram acionados e o garoto foi levado até a Casa da Criança, onde permanecia até ontem.

Um pouco antes de ser conduzido pelo conselheiro tutelar Guilherme Melo, ele chegou a dizer que a mãe o teria deixado para tomar pinga e fumar maconha.  No entanto, segundo a titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Darlene Tendolo, ainda é cedo para que seja proferido qualquer tipo de julgamento.

“Não podemos julgar antes de saber o que realmente aconteceu. Não sabemos a verdadeira história. Pode ser até que a mãe tenha adoecido e não havia mais ninguém para cuidar dele. Trabalho com essa suspeita também, porque se trata de uma criança tranquila e de bem com a vida, diferente das outras que são, de fato, abandonadas”, observa.

Em contraponto, Tendolo aponta que o menino parece estar acostumado a viver sozinho. “É uma criança falante e inteligente, mas uma coisa me preocupa muito: tudo indica que é comum para ele ficar sozinho. Ainda é um mistério tudo isso”, disse.

Enquanto as autoridades investigam o paradeiro da família do menino, ele segue abrigado. “Na Casa da Criança, ele participa de atividades lúdicas junto a outras crianças, recebe alimento e carinho. A gente promove um trabalho para que as crianças se sintam no próprio lar”, observa Tendolo.

Destino

O caso já foi registrado na Polícia Civil e será encaminhado à Vara da Infância e da Juventude, onde o juiz Ubirajara Maintinguer deve convocar uma audiência para definir o destino do menino.

“A prioridade é para a família, com quem ele mantém relação de afinidade e afetividade. Se não for possível, ele será colocado no cadastro de adoção”, explicou Maintinguer. Antes disso, porém, o juiz informa que haverá um processo de investigação.

“Depois que o caso chegar até nós e a mãe for localizada, será realizada uma audiência concentrada para analisar se essa mãe reúne condições de receber a criança. Em último caso, não havendo mais nenhum parente com condições de criá-la, ela irá para uma família substituta”, explica.


‘É a primeira vez que vejo um caso assim em Bauru’, afirma delegada

A forma como o menino foi abandonado, sem nenhuma pista dos pais e familiares, intrigou até mesmo as autoridades policiais. “É a primeira vez que vejo um caso assim em Bauru. É um caso raro”, disse a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini.

Poucas pistas

O fato foi registrado ontem na Central de Polícia Judiciária (CPJ) como crime de abandono de incapaz, com autoria desconhecida. “Temos pequenas informações somente prestadas pelo menino. Não sabemos sequer o nome dele”, observa a delegada.

Bianchini disse que já iniciou o trabalho de investigação. “Vamos atrás de pistas com o pessoal do bairro onde ele foi encontrado. Já temos alguns dados, com os quais iremos nos amparar inicialmente. A prioridade agora é identificar os pais ou responsáveis pela criança”, explica.


Drogas

Ao ser questionado sobre o porquê andava sozinho às margens da Bauru-Iacanga, a criança alegou que havia sido abandonada pela mãe e que a mulher teria ido atrás de droga. Segundo o juiz Ubirajara Maintinguer, da Vara da Infância e Juventude, essa seria uma problemática comum e que não deve ser descartada.

“Alguns casos de abandono de crianças estão relacionados com as drogas. Acontece muito. De repente, se for esse o caso, essa mãe precisa ser tratada. Após o tratamento, contudo, pode ser que ela tenha condições de receber o filho novamente”, pontua Maintinguer.