08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vivas


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Relutei muito antes de resolver escrever pontuando sobre o pior texto que já li na vida de um alguém tentando defender por via reversa o instrumento de dominação cultural que é a máquina do "politicamente incorreto" (seu contrário é tão dominante quanto seria o "politicamente correto") ainda mais por, pasmado, verificar eu que o autor do assombroso frankenstein acebolado de ideias é um... professor (JC de terça passada)! Tratando-se, portanto, de um profissional da educação, que tem por obrigação técnica o dever de transpor didaticamente em uma narrativa textual, de preferência com boa verve, o que por sua vez deveria ser o espelho correspondente de sua argúcia oral superior, coisa que tambem se espera que tenha um ?P?rofessor...Pobres alunos!

O nefando ?politicamente incorreto?, me cabe esclarecer diante da confusão instalada pelo autor, retro nada mais é que uma criação de um grupo de intelectuais de esquerda, comunistas, notadamente jornalistas, artistas e professores de algumas universidades dos EUA que desejavam se contrapor à retórica conservadora, econômico-política, daquele país que prosperava a olhos vistos sob a administração do conservador republicano e, claro, de direita, pois ele era anticomunista também, o saudoso Ronald Reagan. E deu certo, sendo exportado depois como uso e método de pôr um código de comportamento dentro das pessoas, impedindo, na prática, um debate aberto sem travas ou, antes, para que seja debatido somente aquilo que na mente destas gentes seria o contrário do politicamente-incorreto, ou seja, o que seria, em tese, correto, ou "bom"... em resumo? Algo infantil como "A bola é minha e a regra tambem e se eu não fizer gol, não tem jogo, aliás, você pode jogar, mas não pode vencer! Combinado?".

Por força da exposição na mídia destes artistas que externavam em atitudes o que deveria ser ou não feito em público, dos próprios jornalistas que usam do ofício de sobre tudo escrever, mas enfiando ladinamente nas matérias o que deveria em suas concepções ser tomado como correto (e isto, todos sabemos, varia de pessoa a pessoa dependendo do livre arbítrio individual) e, por fim, na esfera universitária - onde em tese se cria a elite do pensamento de uma nação - professores ensinavam dogmas do que pensar antes do bem raciocinar, sendo apenas válido que eles, alunos, raciocinassem (preferencialmente pelo viés da esquerda) apenas em único sentido da qualquer ideia exposta, aceitando-as como pensamentos absolutos inquestionáveis, sendo aí que nasceu o instrumento castrativo de ações e ideias do "politicamente incorreto", que visa obrigar a você, pessoa livre, em nome do pudor e da moral coletiva imposta por eles, de uma agenda feita por eles do que pode e do que não pode, abdicar do que acredita, se auto-censurando, calando-se e omitindo-se diante de situações onde antes vocês protestariam, falariam ou debateriam opiniões e fatos, mas que agora se cala para não ser taxado disto ou daquilo!

É assim que funciona. Um exemplo é o tema das cotas raciais... Quem quer ser chamado de racista não o sendo e antes abjurando coisa mais nojenta do que esta? Pois é, mas o patrulhamento verbal deles sempre está pronto a gritar lhe apontando o dedinho sujo berrando: "nazista","racista" ou qualquer outro ?ista? do qual ninguem em sã consciência quer ser xingado em público ao esgrimir opinião contrária à agenda coletivista global e socializante do comunismo (e aqui PT, PC do B e PSOL são seus mais histéricos bate-bumbos), sempre devidamente embalada no papel-crepom do bonitinho e apresentavel "politicamente-correto", que finalmente faz o truque mental do ?nós? e "eles", verdadeira arapuca de comportamento social coletivo que esta turminha sabe muito bem manejar e na qual a maioria cai sem saber justamente por ação de artistas, intelectuais e professores, incluindo mesmo os confusos que escrevem muito mal...

Paulo Boccato