08 de julho de 2026
Política

Telma e Octaviani disputam vaga

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Dentre os nove pré-candidatos a deputado federal em Bauru, dois são filiados ao PMDB. O partido vive um dilema: Telma Gobbi e Carlos Octaviani não demonstram inclinação para abrir mão do pleito. Na avaliação quase unânime, o lançamento de dois nomes será prejudicial. Além disso, ninguém para disposto a interferir no impasse, mas o comando da sigla tem pressa por definições.

Até o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tem participado dessa discussão. Ele acredita que a vereadora e o ex-prefeito de Agudos chegarão a um consenso e, particularmente, não avalia de forma negativa a concretização das duas candidaturas na cidade.

Por outro lado, Renato Purini (PMDB) acredita ser prudente que um dos dois desista do projeto político. Pré-candidato a deputado estadual, ele também preside a legenda no âmbito local, mas não quer interferir no processo.

“Não vejo nenhum deles titubear em relação a essa vontade, mas nós não vamos pedir para um ou para o outro sair do jogo. Eles têm que entrar em acordo. O tempo está se esgotando e o PMDB precisa decidir”, alerta.

Purini se refere à reunião do diretório municipal, que será realizada no próximo dia 17, para quando é esperada a definição. “O pessoal já me pergunta com quem vou dobrar e ainda não tenho a resposta. Isso é ruim. A demora também atrapalha quem for o candidato, que já poderia estar se estruturando de forma mais efetiva”,  observa.

O peemedebista ressalta que eleger um candidato já não é uma tarefa simples, pois o partido estima 100 mil votos como a faixa de corte para a eleição na Câmara Federal. A convenção estadual da sigla, vale lembrar, deve ser marcada para o dia 15 de junho, primeiro dia do prazo previsto pela legislação.

Bagagem

Na mesma linha de Renato, Carlão Octaviani é taxativo ao garantir que o PMDB de Bauru terá apenas um candidato a deputado federal. Ele voltou a criticar a quantidade de políticos dispostos a concorrer. “Peço para que o pessoal repense, deixando a vaidade de lado para priorizar o interesse regional”.

Embora se refira ao cenário geral e não especificamente à “adversária interna”, ele deixa um recado ao lembrar que, por poucos votos, não se elegeu em 2010. “Da última vez, também tinha muita gente tentando. Se juntasse o que esse pessoal recebeu, eu teria entrado e Bauru estaria mais forte”, argumenta.

Carlão defende um acordo entre os partidos para que uma pesquisa de intenção de votos defina, no máximo, três candidatos a estadual e dois a federal. O ex-prefeito se comprometeria, inclusive, a desistir de concorrer caso não figurasse entre os mais bem colocados.

Contraponto

Telma Gobbi discorda. Ela lembra que, se pesquisa em início de campanha definisse eleição, Fernando Haddad (PT) não seria prefeito de São Paulo nem Dilma Rousseff (PT) presidente da República.

A vereadora diz que hoje só desistiria de concorrer se não se sentisse preparada. Ela pontua ainda que sua candidatura atende a interesses do grupo, pois o PMDB paulista precisa lançar mulheres para cumprir a cota mínima obrigatória de 30% na chapa.

Telma conta que também está muito empenhada por conta da luta pela criação de um curso federal de Medicina na cidade. Na próxima semana, ela entregará documento com o pedido ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).


Relacionamento

Se algum dia o relacionamento entre Telma Gobbi (PMDB) e Renato Purini (PMDB) foi ruim, hoje os dois parecem afinados na Câmara Municipal. Por outro lado, Carlos Octaviani (PMDB) deixa claro que não pedirá votos para o peemedebista, com quem dobraria oficialmente, porque apoiará a reeleição do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).