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Aceituno Jr. |
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Após quebra de uma série de paradigmas, Laerte Pretti e Daniela Corcioli adotaram a pequena Daniele; família se tornou exemplo de amor que, de tão unida, até o gato quis sair na foto |
Daniele passou a ter um motivo especial para festejar o Dias das Mães nos últimos quatro anos. É que a menina, na época com 10 anos, que, antes era apenas mais uma entre tantas outras abrigadas com idade acima de 5 anos e negra, está prestes a obter a adoção definitiva em Bauru junto a um casal de felizardos - como eles mesmos se intitulam. A história é um exemplo de quebra de paradigmas confirmada pelas estatísticas oficiais.
Após quase cinco anos à espera da criança idealizada – branca e com até 5 anos -, o engenheiro Laerte Pretti, 57 anos, e a faturista Daniela Corcioli, 47 anos, resolveram abrir mão das preferências físicas elencadas no cadastro de pretendentes para se deixarem levar pelo “coração”.
A história da família em questão exemplifica uma realidade cada vez mais presente em Bauru quando o assunto é adoção.
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Em 15 anos, o número de crianças e adolescentes na fila de espera por pais adotivos reduziu de 60 para dez - estatística atualizada, na última quarta-feira, via sistema do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) do Conselho Nacional de Justiça.
O que chama a atenção é que, do total, nove possuem idade acima dos 11 anos (veja no quadro).
A situação, inclusive, mudou o tempo médio de espera por adoção, que antes era de até cinco anos, e, agora, diminuiu para dois anos no município.
A diminuição do preconceito dos pais pretendentes à adoção tardia e inter-racial são os motivos que teriam resultado tal diminuição, segundo explica a psicóloga responsável pelo cadastro local da Vara da Infância e Juventude, Lúcia Maria Rodrigues de Almeida.
Vale lembrar, no entanto, que, embora seja considerado pequeno pelo município, o número ainda é superior ao de cidades do Interior de São Paulo com o mesmo porte, como Ribeirão Preto, Piracicaba e Presidente Prudente, que possuem, respectivamente, 9, 2 e 5 crianças aguardando.
Nunca é tarde
Para se ter ideia, de maio de 2013 até anteontem, 53 crianças e adolescentes haviam sido adotados em Bauru. Desse total, 12 possuíam idade acima de 5 anos, 11 teriam entre 2 e 5 anos e 35 estariam na faixa de idade de até 2 anos.
Para a Vara da Infância e Juventude de Bauru, as 12 adoções representam um grande avanço quanto o assunto é adoção tardia. “Antigamente, o número de crianças adotadas acima de 5 anos era quase nulo. Havia uma ideia errada entre os pretendentes de que a criança com mais idade não conseguiria estabelecer vínculo com a nova família por conta dos hábitos e dos costumes adquiridos junto aos pais biológicos”, aponta a psicóloga judiciária.
A situação é ilustrada pelo caso da família adotiva de Daniele, que, antes de concretizar a adoção da menina, procurava somente crianças pequenas. “Nós batemos muito a cabeça antes de mudar essa idade. Só alteramos o cadastro depois de muita conversa e de entender que nunca seria tarde. No fim, o que vale mesmo não é a idade”, comenta Laerte Pretti.
Todos iguais
O preconceito quanto à adoção inter-racial também era muito forte entre os pretendentes. “Eles queriam crianças essencialmente brancas. Muitos desses pretendentes se escondiam atrás da desculpa de que não queriam que a criança sofresse por conta da diferença da cor. E tinha também algum preconceito”, enfatiza a psicóloga responsável pelo cadastro local.
“Vivemos num país misto. A população de rua do Brasil é mestiça. Não há só crianças essencialmente brancas”, critica a psicóloga.
E foi exatamente nessa questão que o casal Laerte e Daniela também esbarrou quando preencheu o cadastro. “Eu era resistente e tinha medo que, por conta da diferença, todos sofrêssemos. Mas ela foi uma quebra de paradigmas para mim e paixão à primeira vista para minha esposa. Hoje, somos uma família como qualquer outra”, comenta Laerte. “Não importa a cor, debaixo da pele somos todos iguais”, completa Daniela.
‘Exigentes’
Apesar do avanço ao longo dos anos, a fila de pretendentes é grande. Existem, atualmente, 180 pessoas em busca de um filho adotivo. A espera de alguns, que chega até cinco anos, só acontece por conta das restrições impostas pelos pretendentes.
“Desse total, podemos dizer que 10% são indiferentes quanto à cor, 60% querem ou brancos ou pardos e 30% optaram por branco”, relata Lúcia de Almeida. “Em relação à idade, apenas 1% aceitam crianças acima dos 8 anos, enquanto 80% só querem adotar crianças abaixo dos 5 anos e 19% de até 2 anos”, avalia a psicóloga.