09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Rei Arthur da advocacia  


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Diz a lenda que, no reino de Camelot, havia um dadivoso rei chamado Arthur. Mas não só Camelot tem sua ilíada. Em 08/05, essa tribuna foi palco de um outro Arthur, o advogado Monteiro Jr., que desferiu um destemperado ataque ao professor Roberto Manduca, cujo brilhantismo se revelou ao nos brindar com o artigo "1964 - mitos e verdades (27/04)", nessa mesma tribuna. O tal advogado deve ter se incomodado pela ousadia do professor em não dizer as mesmas baboseiras repetidas sobre o governo militar por aqueles que têm menos de 40 anos (e presumo seja o causídico).

Ora, converse-se com cem brasileiros acima dos 50 anos e talvez se encontre dois com alguma reminiscência negativa daqueles anos. O incrível é como ninguém se pergunta do porquê da esquerda, ardilosamente, ter esperado 30 anos para começar a campanha massiva de desmonte histórico, ao invés de fazê-lo logo em 1985, quando o governo voltou para as mãos civis. A resposta é simples: seria difícil convencer os que cresceram durante o regime militar de que aquele período foi sanguinário e trevoso.

Na verdade, quem tomou pau (infelizmente, pouco) foram apenas os que, idiotas até os dias de hoje, ficavam propalando as maravilhas do comunismo, uma farsa histriônica que vicia e mata tanto quanto qualquer droga dos dias atuais. Já se tem duas gerações que cresceram ouvindo inverdades e farsas criadas para mistificar as atitudes terroristas e pouco democráticas dos atentados e guerrilhas, que passaram ao largo dos interesses republicanos. Dilmas, Darcys, Genoínos e outros ordinários comunistas são aberrações históricas, estelionatários de uma república que não construíram, figuras covardes das quais teríamos que nos envergonhar.

O tal advogado Arthur, majestade no seu reino dos dislates, mostra sua desconexão com a história. É do tipo que critica a bomba atômica sem entender o contexto dos seis anos uma guerra que custou a vida de 60 milhões de pessoas. Repete as dores de parto dos desaparecidos comunistas sem entender que a maioria deles havia rompido com a família e destruído seus documentos, sendo enterrados com os nomes falsos que escolheram, mortos na guerra que armaram. Levanta a voz para falar dos 240 mortos nos 21 anos de regime militar, mas se cala diante dos 55.000 assassinatos de inocentes por cada ano desse governo civil negligente, corrupto e perdulário. E, nesse tom monocórdio, seguiu garboso em seu cordel de estultices.

Diante dos fatos, o destemperado Arthur bauruense está mais para tolo Dom Quixote que para majestade de reino de ficção.

Ivan Garcia Goffi - advogado