09 de julho de 2026
Geral

24 horas só no nome: duas UPAs têm domingo sem médico

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr

Apesar da enorme placa avisando que o atendimento é ininterrupto, a UPA da Vila Ipiranga ficou sem médicos no domingo

Mais uma data festiva, e novamente a Secretaria Municipal de Saúde sofre com a escala reduzida de médicos. A conta não fecha e quem sofre é a população bauruense, que paga seus impostos e quando precisa de atendimento, vê as Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) 24 Horas não funcionarem, exatamente, por 24 horas. Desta vez, a situação se estendeu a duas unidades. Além da UPA do Ipiranga, a unidade do Núcleo Mary Dota também passou o domingo (11) sem nenhum médico. 

 

No dia 20 de abril, domingo de Páscoa, a UPA da Vila Ipiranga havia ficado sem médico, situação que se estendeu desde o dia anterior e foi mostrada com exclusividade pelo Jornal da Cidade. Na ocasião, o Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde justificou, através de seu diretor Luiz Antônio Sabbag, que a maior dificuldade era fazer a escala de plantão em datas comemorativas como aquela, em que muitos profissionais preferem passar o dia com a família.

 

A reportagem do JC esteve no domingo à tarde na UPA Mary Dota e constatou que todos os pacientes eram orientados a ir para as unidades do Geisel, Bela Vista ou ao Pronto-Socorro Central (PSC). O Pronto-Atendimento Infantil (PAI) também estava atendendo normalmente.

 

“Esse problema (falta de médicos) foi durante o dia. À noite vai estar tudo normal, já haverá médicos em todas as unidades. Não é em todo fim de semana que acontece isso, foi uma situação pontual em função do Dia das Mães”, argumenta Sabbag.

 

Contratações

 

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência afirmou ainda que a prefeitura está contratando novos médicos. “Acredito que dentro de 30 dias alguns já estejam atuando”, salienta Sabbag, que destaca ainda que para definir as unidades que mantiveram o atendimento diante da escassez de profissionais, foi utilizado o critério de maior demanda.

 

Reclamações

 

Muitas pessoas aguardavam por atendimento na UPA do Bela Vista no domingo à tarde. A recepcionista Carolina Vasco de Carvalho, de 27 anos, estava com o filho Kelvin Miguel e o primo Thierre Alexandre, além da amiga Priscila Soares. Carolina, que aguardava há quase uma hora, afirmou que até então apenas haviam verificado sua pressão.

 

“Não passei pela triagem, e pelo que me informaram deve demorar uma três horas para me atender. Estou desde ontem com pressão alta, com o corpo formigando, se demorar muito vou acabar voltando para casa”, disse a recepcionista, que a exemplo da amiga mora no Núcleo Nova Esperança. “Eu vim com ela porque está com pressão alta, mas sempre demora umas duas horas para atender. Talvez se a gente fizer um escândalo, reclamar bastante atendam antes, mas sempre demora isso”, relatou Priscila.

 

Outros usuários da UPA que aguardavam, mas preferiram não dar entrevista, confirmaram à reportagem que apenas um médico estava atendendo desde o final da manhã, e alguns relataram estar há mais de duas horas esperando por consulta. Entretanto, vários disseram que ainda assim é preferível recorrer ao atendimento da UPA do que ao Pronto-Socorro Central.