09 de julho de 2026
Ciências

Sangue de jovem recupera o idoso!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

Agora, humanos no país podem participar de pesquisas e receber dinheiro. Interessante: enquanto se restringem as pesquisas em animais, alargam-se as possibilidades para que sejam feitas em humanos. O ser humano realmente é quase incompreensível. Os que estudam a mente humana acreditam que a felicidade é feita de momentos passageiros e se obtém praticando a coerência do discurso do que se fala com o que se pensa! 

 

Quanto mais momentos coerentes, maior a felicidade. Um exemplo: por aqui o cidadão exige todos os tipos de direitos trabalhistas, previdenciários, impostos baixos, discriminação e tudo que uma democracia tem, mas consome produtos chineses feitos com trabalho escravo, infantil, trabalhadores com carga horária o dobro da nossa e sem direitos trabalhistas. A coerência é moeda muito rara!

 

O próximo passo deve permitir a venda de órgãos ou tecidos do corpo para pesquisas e transplantes. Afinal, temos dois rins, a parte doada do fígado recupera rapidamente, temos 206 ossos, o sangue é fabricado diuturnamente, o leite também: se poderia viver de vendas de produtos do próprio corpo. Por coerência, já alugamos nosso corpo como força de trabalho, para o sexo, ou ainda enfeitar festas e exposições quando bonitos! Os manequins alugam seus corpos como cabide e vitrine de exposição.

 

No dia a dia, mesmo que restringido, se vende disfarçadamente sangue e ossos humanos para serem usados no fabrico de vários produtos. Nas cirurgias ósseas é comum se implantar em cavidades fragmentos de cadáveres humanos e ou bovino junto com o coágulo sanguíneo: uma prática muito comum entre nós.

 

Os tecidos de nosso corpo, ou nossas carnes, são sólidas, mas existem tecidos que são líquidos ou pastosos. O sangue é um tecido líquido que circula por dentro das artérias, veias e coração. No sangue temos células vermelhas e brancas fabricadas em série na medula óssea e jogadas em no fluxo líquido, chamado de plasma. Praticamente sabemos quase tudo que tem neste líquido; são íons, lipídeos, aminoácidos e proteínas jogadas no sangue por muitos órgãos, em especial o fígado.

 

Sangue novo

 

Pelo perfil dos componentes do sangue é possível saber quase tudo sobre a saúde da pessoa. Pode-se ter mais ou menos uma enzima, mais ou menos uma proteína como os anticorpos, ou ainda, pode se determinar a quantidade de íons como o cálcio. Se sabe exatamente qual o perfil de cada componente sanguíneo, considerando sua qualidade e quantidade. A composição do sangue é largamente utilizada para avaliar a saúde do paciente. 

 

Em ratos idosos os pesquisadores perceberam que ao receber sangue doado de ratos jovens havia um retardo e até uma reversão de alguns aspectos do envelhecimento. Dois trabalhos independentes foram publicados e atribuíram estes efeitos do sangue jovem a uma enzima que identificaram como GDF-11 (Growth Differentiation Factor 11). Mas como conseguiram mostrar isto?

 

Primeiro pela parabiose, assim chamado o estado em que dois corpos são unidos cirurgicamente e compartilham o mesmo sistema circulatório e sangue. Após algum tempo transcorrido, os animais mais velhos retomaram uma maior capacidade de  recuperação neuronal e muscular, além de outras funções. Em um segundo experimento os cientistas injetaram um preparado com GDF-11 em ratos idosos e os mesmos resultados se repetiram: o sangue de ratos jovens injetados em idosos podem ajudar a melhorar a qualidade de vida, prolongá-la ou ainda potencializar a recuperação de doenças, incluindo o Alzheimer. 

 

A explicação para esta recuperação pode ser a capacidade da GDF-11 em orientar ou direcionar as células-tronco a se transformar em células adultas de uma forma mais direta e objetiva, sem que percam tempo em se localizar e definir qual o caminho a tomar em casos de necessidade. Os cientistas são de equipes da Universidade de Harvard que publicaram os resultados na “Science”, e da Universidade da Califórnia, na “Nature Medicine”.

 

Calma!!! O resultado ainda não pode ser extrapolado para os humanos, mas muita gente está ficando animada! Será que estamos próximos a resolver esta questão: “...Ah se os jovens soubessem e se os velhos pudessem!”

 

Observatório

 

Autismo e ambiente - Os genes são herdados, mas seu funcionamento sofre influências muito fortes do ambiente como modificações do metabolismo, drogas, alimentação, comportamento, hábitos e vícios. A ciência que estuda os fatores que influenciam o funcionamento dos genes chama-se Epigenética. Na revista JAMA, cientistas ingleses e suecos revelam que, no autismo, os fatores epigenéticos são mais importantes que os próprios genes a partir da análise de 2 milhões de pessoas, incluindo milhares de gêmeos. Se pensava que o autismo era 90% genético. Mas a influência do ambiente é muito grande e o estudo ressalta: o aconselhamento genético das famílias é muito importante.