Ocalor e a baixa umidade do ar registrada nos últimos dias trazem de volta o problema que preocupa toda a região: as queimadas. O assunto é batido, mas o crime é recorrente. Atear fogo em mato é uma prática criminosa que pode resultar em pagamento de multa e, em alguns casos, prisão.
Apesar das campanhas de divulgação, a população insiste em usar o fogo como ferramenta de limpeza contra o mato em terrenos baldios, colocando em risco a saúde e a vida das pessoas, além de causar danos ao meio ambiente.
São gigantescos os prejuízos que são causados à biodiversidade, à dinâmica dos ecossistemas e a diversos tipos de agricultura do planeta, impactando significativamente os processos de mudanças climáticas na terra e do aquecimento global. Além disso, a fumaça pode trazer sérios riscos à saúde de quem vive próximo a esses locais, e contaminar o solo.
O perigo continua após o fogo. O chão, sem plantas para estabilizar, fica suscetível de ser lavados pela água da chuva, especialmente em áreas inclinadas. Árvores suam como pessoas e introduzem a umidade do ar quando está quente. Se elas estão desaparecidas depois do incêndio, o clima se torna seco, aumentando as chances de acontecerem outros incêndios. O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta, todos respiramos o mesmo ar, todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos, e, todos somos mortais.
O ser humano é o maior responsável pelas queimadas e incêndios. A conscientização das pessoas é um importante passo, e a prevenção pode ser feita nas escolas, imprensa, instituições sociais. Para isso é importante aproveitar cada oportunidade e prejuízos causados pelo fogo.
Muito se fala de consciência ambiental e da necessidade de deixar um planeta melhor para nossos filhos, mas esquecemos da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta! E vamos mais além, parafraseando Monteiro Lobato: "A natureza criou o tapete sem fim que recobre a superfície da terra. Dentro da pelagem desse tapete vivem todos os animais, respeitosamente. Nenhum o estraga, nenhum o rói, exceto o homem."
A autora é advogada - OAB/SP