|
Douglas Reis |
|
|
|
Estudantes e funcionários cruzaram os braços e pararam algumas aulas e parte dos serviços |
O campus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru amanheceu com parte de suas atividades paralisadas ontem. O movimento, realizado por estudantes e Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), protestou alegando o corte de verbas para bolsas de extensão universitária e de permanência (para alunos com renda familiar per capita de 1,5 salário mínimo), além de reivindicar melhores salários aos funcionários e a abertura do bandejão no campus, que é promessa há quase 20 anos.
Além da suspensão de aulas de alguns cursos, o campus teve paralisado parte dos serviços de laboratórios, manutenção elétrica, setor técnico-administrativo e de motoristas.
Os professores do campus estudavam, ainda durante a manhã, se iriam aderir ou não ao movimento.
Além de Bauru, outras unidades de Assis, Jaboticabal, Marília e Sorocaba também aderiram à mobilização. A paralisação, no entanto, não se estenderá por esta terça-feira.
60% de corte
As pautas com as reinvindicações em questão seriam apresentadas durante uma reunião do Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp), que reuniu, na Capital, os reitores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Unesp, secretários de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia e da Educação, além dos sindicatos dos professores e servidores técnico-administrativos das três universidades, ontem. O evento é conhecido como “Fórum das Seis”.
“Só na FEB (Faculdade de Engenharia de Bauru), o corte foi de 60% nas bolsas. Antes, a verba destinada era de R$ 35 mil e, neste ano, baixou para R$ 6 mil”, aponta César Villar, representante do Diretório Acadêmico da FEB na instituição e aluno do 3º ano de engenharia elétrica.
A mesma realidade é partilhada pela Faculdade de Ciências (FC) e Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), segundo os manifestantes. “A educação tem passado por um processo de precarização completo. E, na universidade pública, sentimos isso claramente. Faltam professores e o corte de repasses pelo Estado só aumenta a cada ano”, reforça uma estudante do 5º ano de psicologia, que pediu para não ser identificada.
Funcionário da unidade e coordenador jurídico do Sintunesp, José Aparecido Castelli, também reclamava da situação. “O governo está expandindo as unidades e os salários estão cada vez piores porque o repasse não muda. Lutamos pela isonomia salarial entre todas as universidades públicas”, frisa Castelli.
Em entrevista ao JC, ele adiantou que, neste ano, o Sintunesp pedirá reajuste do valor referente à inflação acrescido por mais 3%. A data base da categoria é no mês de maio.
Greve?
Tanto os estudantes quanto os funcionários do Sintunesp descartaram o início de uma greve neste momento, mas informaram que novas paralisações podem ocorrer ao longo das próximas semanas.
“Tudo dependerá da negociação em São Paulo. Se nada mudar, podemos sim deflagrar greve. Estamos juntos nessa luta com os estudantes”, adianta Castelli, coordenador jurídico do Sintunesp.
Universidade destaca os investimentos
Sobre a Bolsa de Extensão da Pró-reitoria de Extensão (Proex), a Unesp afirma que, em 2014, foram contemplados 895 projetos e concedidas 1.206 bolsas, que passaram de R$ 350,00 para R$ 400,00, atingindo um investimento de R$ 5,1 milhões
“É a Resolução 21/2014 da Proex que estabelece normas para a concessão de Bolsa de Extensão Universitária. Esse regimento é responsável por coordenar projetos de extensão da Unesp que, uma vez submetidos e aprovados, dispõem de verbas e bolsas de extensão universitárias específicas e sem vínculo com assuntos de permanência estudantil”, diz a universidade.
Em relação à pauta apresentada pelo Sintunesp, a Unesp informou que o Cruesp e o Fórum das Seis estão no começo do processo de negociação salarial.
Para 2014, a Unesp diz que construiu um novo instrumento de seleção para moradia, o Bolsa de Apoio Acadêmico e Extensão I (BAAE-I) e Auxílio Aluguel, visando aprimorar o processo para atender os alunos com vulnerabilidade socioeconômica.
“O número de bolsas da cota fixa na Unesp como um todo passou de 1.184 para 1.447. Houve também o aumento no valor das bolsas, sendo que a BAAE-I passou de R$ 300,00 para R$ 330,00; o Subsídio Alimentação, de R$ 50,00 para R$ 70,00; e o Auxílio Aluguel, de R$160,00 para R$ 200,00. Deste modo, o aluno que recebe a BAAE-I e o Subsídio recebe R$ 400,00; e o aluno que recebe Subsídio Alimentação e o Auxílio Aluguel, R$ 270,00”, diz a instituição.