A Rússia afirma descartar a ideia de novas negociações internacionais sobre a Ucrânia se o diálogo não contar com presença de representantes das regiões separatistas do leste do país, declarou o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.
“Voltar a reunir-se a quatro partes não faz sentido”, declarou Lavrov ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos, como a celebrada em abril em Genebra.
De acordo com Lavrov, nenhuma conversação funcionará “se os opositores do regime não participarem em um diálogo direto para sair da crise”.
Ao mesmo tempo, o chefe da diplomacia russa defendeu que as partes em conflito apliquem “medidas práticas”, especialmente porque “os personagens chave concordam com os princípios para sair da crise estabelecidos em Genebra em 17 de abril”.
Lavrov acusou as autoridades ucranianas de utilizar o Exército para tentar impedir a os referendos separatistas realizados ontem nas regiões de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia.
“Destacamos a alta participação eleitoral, apesar das tentativas de abortar a votação, das tentativas de fazer isto com o uso de guerrilheiros ultra-radicais, com o uso do exército, o uso de armamento contra cidadãos pacíficos”, disse Lavrov.
O chanceler denunciou que a ação da Ucrânia “deixou vítimas mortais”.
Respeito
A Rússia anunciou também que respeita o resultado dos polêmicos referendos nos quais regiões do leste pró-Moscou da Ucrânia se pronunciaram de maneira ampla a favor da independência e defendeu um diálogo das autoridades ucranianas com os separatistas de Donetsk e Lugansk.
“Em Moscou, respeitamos a expressão da vontade dos cidadãos das regiões de Donetsk e Lugansk”, afirma um comunicado do Kremlin.
“Partimos do princípio de que a aplicação do resultado dos referendos acontecerá de maneira civilizada, sem mais violência, por meio do diálogo entre os representantes de Kiev, Donetsk e Lugansk”, completa a nota.
Na região de Donetsk, os primeiros resultados apontam para 94% de apoio ao “Sim” à independência.
A consulta não foi reconhecida por Kiev nem pelos países ocidentais.