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Reprodução Facebook |
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"Leandro e Graciele passaram a impressão de que estavam até satisfeitos com o ocorrido", afirmou a delegada |
O inquérito sobre o assassinato de Bernardo Boldrini, 11, entregue à Justiça nesta terça-feira (13), aponta o médico Leandro Boldrini como acusado de planejar a morte do filho. A polícia diz ter encontrado "vários indícios" de que ele tinha conhecimento do crime e que não só foi o mentor como forneceu a receita médica para o sedativo injetado no menino.
Além de Boldrini, a madrasta de Bernardo, Graciele Ugolini, e uma amiga dela, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, também foram indiciadas. Elas admitiram participação no crime, mas a defesa de Boldrini nega envolvimento do médico. A polícia pediu a prisão preventiva dos três.
Segundo a delegada Carolina Bamberg, responsável pelo caso, o casal foi indiciado sob suspeita de praticar homicídio qualificado e ocultação de cadáver, com motivo fútil ("desamor e ódio") e torpe (o pagamento a Edelvânia) e meio insidioso, que dificultou a defesa da vítima.
Um dos indícios contra Boldrini é que, ao procurar pelo filho dois dias após seu desaparecimento, o médico reclamou com amigos que o celular do menino estava em casa. Apesar disso, segundo a delegada Caroline Bramberg, responsável pela investigação, antes de fazer essa queixa o pai contou ter ligado diversas vezes para o celular do filho.
"Também nos levou a seguir o caminho de que era um homicídio o fato de que Leandro nunca foi na casa das pessoas procurar o menino [no passado]. Há relatos de que ele passava até 15 dias [fora]. Por que neste final de semana ele foi?", disse a delegada.
"E outra coisa que nos chamou a atenção foi que ele descartava algumas pistas [de onde Bernardo poderia estar] sem nem mesmo averiguar", completou.
A receita utilizada dias antes do crime para comprar o sedativo Midazolam, encontrado no corpo de Bernardo e possível causa da morte dele, também teria sido assinada por Boldrini em nome de Edelvânia. Segundo a delegada, a assinatura se parece com a de Boldrini, mas ainda passará por perícia.
A polícia afirma ainda que, em uma ligação telefônica interceptada, parentes de Leandro falam que Graciele e Edelvânia assumiriam a culpa e isentariam o pai do garoto em troca de sustento financeiro.
A delegada citou diversos episódios que mostram, segundo ela, o "desamor" do pai pelo menino. Em um aniversário de Bernardo, por exemplo, o pai teria dito que não gostava do garoto depois de ouvir do menino que o odiava.
"Desde o início notamos nele um comportamento diferente do que se espera de alguém que está com seu filho desaparecido. Leandro e Graciele passaram a impressão de que estavam até satisfeitos com o ocorrido", afirmou Bamberg.
Desde o final de janeiro, continuou a delegada, havia sinais de que a vontade de matar o garoto era compartilhada pelo casal. Uma testemunha disse à polícia que ouviu de Graciele que ela e Leandro queriam matar o menino e só não o fizeram porque não tinham onde esconder o corpo.
PASSO A PASSO DO CRIME
Segundo a polícia, o crime ocorreu em Frederico Westphalen, cidade a 80 km de Três Passos, onde Bernardo morava. Na tarde de 4 de abril, a madrasta o convidou para ir até o município vizinho buscar um aquário para o garoto.
Antes que saíssem de casa, de acordo com a investigação, Graciele deu um comprimido ao menino com a justificativa de que, assim, ele não passaria mal no caminho.
Ao chegar, os dois encontraram a assistente social, e Graciele aplicou uma injeção no garoto.
De acordo com a polícia, foi Edelvânia quem admitiu que o crime foi premeditado. Em depoimento, ela contou que havia sido procurada dias antes por Graciele, que lhe disse que o garoto "incomodava" muito e que queria matá-lo.
Edelvânia não respondeu na hora, e Graciele voltou a procurá-la, oferecendo ajuda financeira, segundo a polícia.
Para concluir o inquérito, a polícia se baseou em depoimentos, imagens e no resultado de perícias técnicas, que apontaram a presença do sedativo Midazolam no corpo de Bernardo.
Foi a mesma substância que Edelvânia disse à polícia ter sido aplicada pela madrasta no garoto. Dias antes, a assistente social também comprou uma escavadeira junto de Graciele.
Imagens mostraram o carro de Edelvânia e Graciele próximos ao local onde o corpo foi encontrado, dois dias antes do crime –o que reforçou a suspeita da polícia de que o assassinato foi planejado.
Segundo a polícia, vídeos mostraram a madrasta e o garoto em Frederico Westphalen, no dia da morte. Os dois estavam no carro e encontram Edelvânia. Horas depois, de acordo com a polícia, apenas Graciele e a assistente social são vistas no veículo.
ENTENDA O CASO
Bernardo Boldrini, 11, morava em Três Passos (RS) e desapareceu na tarde do dia 4 de abril. Dez dias depois, o corpo do garoto foi localizado numa cova rasa em um matagal na cidade de Frederico Westphalen.
Naquele mesmo dia, a Polícia Civil prendeu o pai e a madrasta do garoto, além de uma amiga de Graciele, Edelvânia Wirganovicz, por suspeita de envolvimento no crime.
Segundo a polícia, foi a assistente social quem indicou onde estava o corpo do menino. Em um primeiro depoimento, divulgado pelo jornal "Zero Hora", ela disse que o garoto havia sido morto com uma injeção letal dada pela madrasta.
O advogado da assistente social, Demetryus Grapiglia, refuta a versão e tenta anular o depoimento. Segundo ele, a assistente social estava em estado de choque e não teve direito à defesa quando falou à polícia.
Apesar de negar participação no crime, de acordo com Grapiglia, ela admite ter ajudado a ocultar o corpo.
Já a madrasta Graciele Ugolini afirmou à polícia que a morte ocorreu de forma "acidental". Ela disse ter dado remédios ao garoto, que estaria "agitado", para fazê-lo dormir. Em seguida, viu que ele não apresentava reações.
No último sábado, também foi preso Evandro Wirganovicz, irmão da assistente social. Testemunhas relataram ter visto o carro de Evandro próximo ao local onde o corpo foi encontrado. Ele nega.
A polícia diz que havia indícios anteriores da participação de Evandro no crime, mas ele só foi preso no sábado após diligências que reforçaram as suspeitas.