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Malavolta Jr. |
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Torcedor exibe ingressos das Copas de 1970, 1982, 1994, 1998, 2006, 2010 e, agora, 2014 |
O aposentado Reynaldo Grava, 79 anos, sabe muito quando o assunto é Copa do Mundo. Natural de São Manuel (aproximadamente 69km), veio morar em Bauru na década de 1970 por conta de seu emprego na Companhia Energética do Estado de São Paulo (CESP), onde exercia funções no setor administrativo.
E foi naquela época que teve a oportunidade de ver de perto um jogo da Seleção Brasileira em um Mundial. Após ouvir pelo rádio os títulos do Brasil em 1958 e 1962, na Suécia e Chile, respectivamente, Reynaldo conseguiu ir até o México assistir à Copa de 1970. “Foi um Mundial marcante. Foi o melhor time do Brasil que eu vi nessas seis Copas até hoje. O de 1982 era muito bom também, jogava solto, mas o de 70 era o melhor, indiscutivelmente. Aquela equipe tinha Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Gerson. Era um timaço”, afirma. “Vi os seis jogos na campanha do tricampeonato, e na final, no Estádio Azteca, consegui entrar no campo depois do jogo, ajudei a carregar os jogadores, foi emocionante”, relembra. “Paguei a viagem ao longo de dois anos, mas valeu a pena”, revela.
No começo da década de 1980, por conta do emprego, Reynaldo morou um período em Promissão, retornando a Bauru em 1983. Depois do México, ele foi à Copa do Mundo na Espanha, em 1982, outro Mundial que recorda com carinho. “Como eu disse, o time de 1982 era muito bom também, jogava solto. Talvez não tenha ido mais longe porque não teve o devido controle fora de campo. A Itália passou no limite na primeira fase e nos eliminou, foi uma pena”, explica. Na ocasião, já carregando sempre uma camisa noroestina junto com o uniforme da Seleção Brasileira, forma de demonstrar o carinho com o clube da cidade que o acolheu, Reynaldo levava consigo uma bandeira do Brasil que foi autografada até pelo técnico Telê Santana (que morreu em 2006) e pelo repórter Luiz Ceará, à época no SBT.
Pé quente
Depois de ver duas gerações brilhantes do futebol brasileiro – uma que faturou o tri, outra castigada pela Itália no Sarriá em 82 – Reynaldo voltaria a ver a Seleção de perto nos Estados Unidos em 1994, para quebrar um jejum de 24 anos sem títulos em Mundiais. Na verdade, a pretensão era ir à Itália, em 1990, porém, o momento econômico do País não favoreceu.
“Eu estava guardando um dinheiro para viajar para lá, até porque sou descendente de italianos. Porém, com os planos econômicos do governo do Collor (Fernando Collor de Mello, presidente da República eleito em 1989), ficou muito difícil. Até tinha alguns amigos na Itália que me ofereceram para ficar na casa deles, mas quase não havia mais ingressos também”, lamenta o aposentado, que escapou de ver uma das piores campanhas do Brasil em Copas – a Seleção caiu nas oitavas, diante da Argentina, no famoso episódio da ‘água batizada’ de Maradona.
Se não deu para ir em 1990, quatro anos depois, ‘seo’ Reynaldo foi levar sorte ao Brasil nos Estados Unidos. Assistiu aos sete jogos do time do técnico Carlos Alberto Parreira na terra do ‘Tio Sam’, e ainda conseguiu ver algumas partidas de outras seleções, a exemplo do que já havia feito em 1970 e 1982.
Susto!
Já tetracampeão, o Brasil foi à França em 1998 como grande favorito para conquistar o Mundial. E novamente Reynaldo Grava marcou presença, em sua quarta Copa do Mundo acompanhando todos os jogos da Seleção Canarinho. “Foi uma Copa muito marcante. A gente acompanhou a Seleção desde os treinos, antes de começar a Copa, e viajou pela França a cada partida”, relembra Reynaldo, que tinha entre amigos o apelido de ‘Zagallo’.
E se o técnico do Brasil caiu no gosto popular naquela Copa, principalmente pela superstição (13!) e estilo despojado – ao contrário da maioria dos treinadores, dispensava o terno e usava o agasalho – o ‘Zagallo’ de Bauru deu um susto na semifinal, em Marselha.
A nossa Seleção enfrentava a Holanda, partida que terminou 1 a 1 no tempo normal e prorrogação e foi para os pênaltis, vencido pelo Brasil por 4 a 2, com espetacular atuação do goleiro Taffarel. Mas Reynaldo simplesmente não viu a decisão nas penalidades. “Eu sou diabético, e a emoção foi tanta que apaguei. Fui socorrido e levado ao hospital, e só soube bem depois que o Brasil tinha ido para a final. Foi quando acordei e vi alguns amigos que estavam do lado de fora com a camisa do Brasil, comemorando”, comenta. “Para mim pelo menos, foi o jogo de Copa mais emocionante que teve”.
O mal súbito em Marselha não impediu que ele assistisse ao jogo final, em Paris. “Quando voltamos para Paris chegaram a me oferecer um bom dinheiro para eu vender o ingresso da final. Mas eu não vendi, de jeito nenhum. Pena que o Brasil perdeu daquele jeito”, cita, lembrando a derrota por 3 a 0 para a França.
Lembrança de viagem
Além de México (1970), Espanha (1982), Estados Unidos (1994) e França (1998), Reynaldo Grava foi ainda para as Copas do Mundo da Alemanha, em 2006, e na última, em 2010, na África do Sul. E foi justamente durante o Mundial de 2006 que ele visitou os lugares que considera mais bonitos.
“Quando fui para a Alemanha aproveitamos para ir à Amsterdã, na Holanda, que é uma cidade muito bonita, com os canais, tem inúmeros pontos turísticos. É uma viagem rápida de ônibus da Alemanha, e gostei demais. Fui também de avião para a República Tcheca, cerca de duas horas de voo da Alemanha, e a capital Praga me agradou muito. Eles preservam demais a história, é uma cidade que mantém as tradições”, lembra.
Já no Mundial passado, na África, Reynaldo encontrou-se com Luciano do Valle, narrador que morreu no mês passado. “Eu sempre fui muito fã dele, tinha até um certo contato. Foi uma pena mesmo ele ter partido tão perto dessa Copa no Brasil”, lamenta.
Em casa!
Viajando o mundo atrás dos jogos do Brasil, Reynaldo Grava ficou com medo de não poder ver a Copa justamente em seu País. “Eu não conseguia comprar ingresso. Não deu certo na primeira vez que abriu a venda, só consegui na segunda vez. Meu neto conseguiu comprar pela Internet, e após muita tentativa no site oficial da Fifa”, confirma aliviado. Ele assegurou bilhete para o terceiro jogo do Brasil na primeira fase, contra Camarões, em Brasília, dia 23 de junho, e caso a Seleção passe em primeiro no Grupo A, o ingresso para ver a partida das oitavas de final em Belo Horizonte também já foi adquirido.
“Se o Brasil ficar em segundo eu nem vou para lá ver o jogo, quero ver o Brasil. Mesmo não conseguindo ingresso para abertura e final, estou feliz em poder ver pelo menos um jogo da Seleção. Gostei da convocação do Felipão, acho que o time que ele levou é o ideal mesmo, o que tem de melhor, e acho que temos boas chances de conquistar o título”, afirma. “Nosso maior concorrente será a Espanha, na minha opinião. E eles podem ser adversários do Brasil já nas oitavas, e dependendo da posição dos times, neste jogo em Belo Horizonte que eu comprei ingresso”, menciona.