08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Artigo do Delfim Netto


| Tempo de leitura: 2 min

Li com estupefação o artigo do sr. Delfim Netto, no último sábado, no JC, onde ele elogia a iniciativa de nossa presidenta em aumentar em 10% o bolsa-família, a fim de corrigir o valor corroído pela inflação. Se tivesse sido escrito por um petista eu até poderia entender, embora jamais concorde com este tipo de benesse, que nada mais é do que o incentivo governamental à vagabundagem. Surpreende o fato do autor ter sido ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura durante a ditadura, tão combatida pelos que agora estão no poder.

Mais surpreendente ainda é o fato do ter sido o sr. Delfim o poderoso ministro que em 1982 baixou o Decreto Lei 2065, que foi o primeiro grande arrocho salarial imposto aos trabalhadores. Surpreende mais ainda ver que este ex-ministro, agora cidadão, tenha a cara-dura de elogiar o bolsa-família, que incentiva a ociosidade, mas que no passado prejudicou quem trabalhava.

O sr. Delfim Netto é o autêntico político brasileiro, que vira a casaca de acordo com a mudança da cor do poder e que aposta na falta de memória do povo brasileiro.

Felizmente eu tenho 65 anos e vivi os descalabros que este senhor patrocinou enquanto ministro e embaixador em Paris. Graças a ele, perdemos a década de 80, quando os empresários preferiram fechar suas empresas e aplicar na poupança, iniciando a maior inflação da história, inflação esta puramente de demanda, porque não havia produtos para comprar e os preços disparavam.


Quem não se lembra de esperar semanas ou meses para poder comprar um simples Fusca zero quilômetro, uma verdadeira carroça, conforme bem definiu o sr. Fernando Collor, quando presidente do Brasil. Infelizmente nossa mídia impressa dá espaços para este tipo de gente, que à falta de ter o que fazer, vive escrevendo bobagens.

Paulo Tadeu França Danese