A estudante da USP Mônica Gonçalves, 28, diz que foi impedida de entrar na Faculdade de Medicina da universidade por ser negra.
O episódio ocorreu no último dia 30, na portaria da campus na avenida Doutor Arnaldo, zona oeste de São Paulo.
A universidade afirma que abriu uma sindicância interna para apurar o caso.Mônica, aluna do primeiro ano de saúde pública, conta que iria encontrar amigos em uma sala do Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina por volta das 19h40.
Quando passava pela pela portaria, no entanto, foi barrada por dois vigilantes. Eles pediram o crachá de identificação da estudante.
"Mostrei o crachá e a resposta foi que eu não poderia entrar", afirma Mônica.A estudante, então, enviou mensagens aos amigos que estavam no prédio. Eles responderam que outras pessoas estavam entrando normalmente no prédio.
"Nesse momento, um homem branco passou pela guarita de segurança e nem sequer foi abordado pelos funcionários. Não pediram o crachá dele", afirma.
Um outro funcionário, que afirmou ser responsável pela segurança, afirmou que a aluna não poderia entrar porque, naquele momento, eles tentavam conter uma festa de estudantes no prédio."Argumentei que eles estavam impedindo um direito meu de circular pelo prédio."
Ela relata que só conseguiu acessar o prédio escoltada por um segurança. Ao chegar ao centro acadêmico, porém, não havia festa. Outros estudantes lhe disseram que só ela havia sido abordada.
"Questionei o segurança sobre isso. Ele disse que eu estava sendo arrogante e que ele poderia me tirar de lá a hora que ele quisesse."
Em nota, a USP afirma que os funcionários da segurança são terceirizados e que "repudia o racismo e qualquer outra forma de discriminação com base em etnia, religião, orientação sexual, social."
Mônica afirma ter certeza de que só foi barrada na entrada da faculdade porque é negra. "Sei em qual país estou. Sei que os comportamentos e as condutas são diferentes para pessoas pretas e negras", diz a universitária.