08 de julho de 2026
Polícia

Vendedor é acusado de estupro

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Apesar de reconhecido, o vendedor M.C.F. nega os abusos e afirma que os casos foram consentidos

Ele era conhecido há, pelo menos, dois anos em Bauru. O seu Corsa verde e suas características físicas acabaram tornando mais fácil a ligação entre as denúncias pela Polícia Civil. Muitas das supostas vítimas preferiram o silêncio, porém, no dia 30 de abril, uma garota de programa resolveu denunciá-lo por tê-la estuprado e ainda roubado sua bolsa. O vendedor M.C.F., 32 anos (apenas as iniciais foram divulgadas pela Polícia Civil) foi preso na tarde de ontem e reconhecido pelas vítimas.

A delegada Priscila Bianchini, do departamento de investigação de crimes contra a mulher da Central de Polícia Judiciária (CPJ), conta que tudo começou com o boletim registrado pela última vítima, uma garota de programa de 25 anos. O caso chegou a ser noticiado pelo JC na edição do dia 1 de maio.

“Essa garota de programa veio, registrou o BO e então o setor de investigação entrou no caso. Quando ela prestou depoimento, disse que conhecia outras garotas e travestis que tinham sido vítimas. Apenas duass travestis resolveram prestar depoimento, mas sabemos que há mais vítimas”, disse a delegada.

O modo de operação era sempre o mesmo. M.C.F. solicitava um programa. A vítima entrava em seu carro e eram surpreendidas com a agressividade do acusado. Sem fazer o pagamento, o vendedor as obrigava a manterem relação sexual com ele e ainda roubava as suas bolsas.

No último caso não foi diferente. A mulher de 25 anos disse que ele a abordou no Jardim Santos Dumont (próximo à Vila Aviação). “Ela contou que ele solicitou o programa. O combinado seria irem para um motel e quando chegou em um matagal, ele trancou as portas e não deixou a vítima sair. Ele a obrigou a manter relações sexuais e não pagou, fazendo menção de estar armado. Ao final, ele ainda levou a bolsa dela com R$ 430,00”, relatou a delegada Priscila Bianchini.


Ligando os pontos

A denúncia da garota do programa e os outros casos se “amarraram” na manhã de ontem depois que a jovem foi até a delegacia para oitiva oficial e relatou conhecer outras vítimas do “homem do Corsa verde-escuro”.

Duas travestis foram até a CPJ e relataram casos semelhantes. Um deles aconteceu em agosto do ano passado. A travesti foi abordada próximo a um motel, também localizado no Jardim Santos Dumont. A vítima ainda não tinha registrado boletim de ocorrência.

“Ela relatou que foi há dois anos. Ele parou o veículo próximo a um cemitério, mostrou um canivete, e obrigou a travesti a fazer sexo. Depois, ele ficou com a bolsa dela com R$ 300,00”, contou a delegada.

Em agosto de 2013, o acusado teria feiro mais uma vítima, outra travesti. Dessa vez, segundo o relato da vítima, o programa seria fazer sexo oral pelo valor de R$ 30,00. “A vítima falou que ele se mostrou até agradável no início, mas, depois que terminou o programa, ele mudou o comportamento. Colocou um canivete na travesti e pediu a sua bolsa, mas ela reagiu e o acusado acabou deixando ela ir embora”, completou.


Prisão

M.C.F. foi preso em sua casa, no Jardim Cruzeiro do Sul, ontem e reconhecido pelas três vítimas. A polícia argumentou que sua identidade foi mantida em sigilo com o objetivo de preservar a sua família, já que

ele é casado e tem filhos.

Temporária

Na tarde de ontem, a Justiça emitiu sua prisão temporária. Além do crime de estupro, ele deve responder também por roubo. A existência de outras vítimas ainda serão investigadas.

O acusado não quis conversar com a reportagem na tarde de ontem na CPJ. Para a delegada, ele negou os estupros e disse que os casos foram todos consentidos. Ele seria encaminhado para a Cadeia Pública de Barra Bonita.