08 de julho de 2026
Geral

Fazenda é ocupada e Justiça dá reintegração

Marcele Tonelli e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Centenas de acampados ocuparam, de novo, a propriedade rural no quilômetro 355 da Bauru-Iacanga

Dezenas de acampados da região de Bauru ocuparam, no final da noite de anteontem, a fazenda Santo Antônio, de propriedade do grupo Mondelli, em Bauru. A ação ocorreu 21 dias após a Polícia Militar (PM) cumprir um mandado de reintegração de posse na mesma fazenda contra centenas de famílias que se intitulavam como sem-terra do Horto Aimorés. Porém, no final da tarde de ontem, a Justiça concedeu uma liminar de reintegração de posse, que será cumprida, provavelmente, na próxima segunda-feira.

O grupo, que assume a responsabilidade pela ação desta vez, no entanto, diz não ter ligação com o último movimento e se intitula como integrante do acampamento Sem-Limites.

Ao JC, os manifestantes afirmaram que o número de acampados no local chega a 450 famílias.

Em boletim de ocorrência, registrado pela PM na Central de Polícia Judiciária (CPJ), no entanto, consta que o número de acampados não chegava a 200. A fazenda fica localizada no quilômetro 355 da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga, e o caso foi registrado como esbulho possessório.

Em entrevista ao JC, os manifestantes alegaram que as terras estariam improdutivas e que a intenção do grupo é de permanecer no local até que os representantes da fazenda acenem negociar a venda com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para transformar o espaço em um assentamento da reforma agrária.


Ocupação

A ocupação teve início por volta das 23h desta quinta-feira. Na ocasião, havia dois seguranças vigiando a sede da fazenda, que acabaram se retirando do local após conversa com o grupo.

Segundo relato dos manifestantes, a ocupação teria ocorrido de forma pacífica. A informação foi reforçada pelo caseiro que mora no local e administra a fazenda.

“Temos tudo filmado para comprovar que somos um movimento pacífico. Essas terras, além de improdutivas, estão endividadas. Soubemos que o Incra quer negociar para transformar em assentamento. Estamos aqui e não sairemos enquanto os donos não negociarem”, afirma o líder do movimento, que não quis se identificar para a equipe de reportagem. “Eles podem até conseguir reintegrar daqui alguns dias, mas nós voltaremos, não vamos desistir, como o outro grupo que ocupou há alguns meses fez”, acrescenta.


Ainda ontem, foi concedida uma liminar para que área seja reintegrada

No final da tarde de ontem, o juiz José Renato da Silva Ribeiro, da 7ª Vara Cível de Bauru, concedeu uma liminar de reintegração de posse da fazenda Santo Antônio. De acordo com Cristiano Aparecido Quinaia, advogado da empresa bauruense Hapi Comércio Alimentício Ltda., que administra todo o patrimônio do grupo Mondelli, inclusive as fazendas, será expedido um mandado para desocupação da propriedade. “Provavelmente, esse mandado será cumprido na segunda-feira. Se os ocupantes se recusarem a sair, a força policial será acionada”, explica.

Questionado sobre o fato de a propriedade ainda não estar arrendada, Quinaia acrescenta que já existe um interessado, mas as partes ainda estão em fase de negociações. “Em razão de a empresa estar em recuperação judicial, existe uma série de exigências contratuais que atrasam o processo. Além disso, os estragos causados pela primeira ocupação e, agora, pela segunda, estão atrasando ainda mais o procedimento”, reitera.

Quinaia também destaca que a fazenda Santo Antônio não é improdutiva. De acordo com ele, os antigos administradores faziam a engorda do gado e a criação de cavalos. O advogado frisa ainda que, até hoje, existem animais na propriedade.

 

Histórico

No dia 21 de março, centenas de famílias ocuparam a fazenda Santo Antônio. O grupo ficou instalado no local por 34 dias até a reintegração.

No mesmo dia, um incêndio provocado, com autoria desconhecida, queimou cerca de 15 alqueires da propriedade. Na tarde de 6 de maio, novo incêndio atingiu o local e queimou mais seis hectares de terra, equivalente a sete campos de futebol. Um terceiro incêndio ocorreu três depois, quando outra área de mais sete hectares foi consumida pelo fogo.