Muita disposição física. Segundo os próprios moradores, é preciso ter isso somado à coragem para subir e descer diariamente as ruas mais íngremes de Bauru. Tarefas rotineiras como pagar uma conta na agência bancária do bairro ou ir até a esquina comprar pão podem representar verdadeiras maratonas para quem vive em regiões altas como os bairros Parque Vista Alegre, Jardim Bela Vista e Vila Quaggio, entre outras.
Mais de 20 degraus separam a rua Alameda Dama da Noite da casa da família Silva Oliveira. Haja fôlego para chegar até a porta. “Fôlego que estamos tentando preservar. Eu, por problemas de saúde. Minha mãe, pela idade”, observa o fiscal de loja Vagner.
Compras para os dois, só com entrega em domicílio.
E para entregar móveis e eletrodomésticos, é preciso içá-los com corda pelos oito metros de altura que ligam a calçada até a residência, porque a escada é estreita.
“Essa escada não é nada fácil para mim, que tenho problemas de varizes, coluna... Vivo aqui há 46 anos e, antes, a escada era feita na terra, sobre o morro. Eu e as vizinhas as construíamos com as crianças. Quando chovia, a gente colocava pedaços de madeira sobre os degraus. Gosto de morar aqui, mas queria vender o imóvel e viver em uma rua plana”, relata ‘dona’ Ana.
Entretanto, mesmo com as dificuldades, mãe e filho encontram um lado positivo em viver no alto. “Daqui, a vista dos fogos de artifício do Ano Novo é linda”, diz Vagner.
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