Homens armados invadiram e pilharam ontem o Parlamento interino da Líbia na Capital, Trípoli. Havia relatos, não confirmados até a noite de ontem, do sequestro de legisladores. Um coronel que se identificou como porta-voz do Exército, Mokhtar Fernana, anunciou na TV líbia a suspensão do Legislativo.
Era esperado que o Congresso líbio aprovasse, durante a semana, o governo formado por Ahmad Maitiq, novo primeiro-ministro desse país africano. Ele nomeou seu gabinete neste domingo.
Fernana anunciou que o movimento não era um golpe, mas que os atuais parlamentares deveriam entregar o poder a 60 congressistas recém-eleitos para a redação de uma nova Constituição -a que está em vigor, desde 2011, tem caráter provisório.
Também houve um ataque a uma base militar próxima controlada por uma milícia islamita, de acordo com o serviço de segurança do país.
A agência de notícias estatal Lana relatava o fechamento de ruas na região do Parlamento. Houve disparo de munição antiaérea e granadas lançadas por foguetes.
Também na rodovia que liga a capital ao aeroporto ouve relatos de tiros e explosões ao longo do dia e até a madrugada.
Apesar de haver controvérsia a respeito da identidade dos homens armados, um porta-voz do general aposentado Khalifa Haftar reivindicou o ato. Haftar não reconhece a autoridade legislativa, dividida entre as facções islamitas e suas detratoras, com discordância quanto à formação do novo governo.
O general afirma estar em campanha para impedir o avanço de milícias islamitas no poder. O governo o acusa, por outro lado, de planejar um golpe de Estado no país.
Turbulência
A Líbia vive uma série crise de poder, desde a deposição e morte do ex-ditador Muammar Gaddafi, em 2011. Desde então, as milícias armadas que operaram o golpe no país tornaram-se um dos principais agentes políticos.