Eleições 2014: Dilma Rousseff, brasileira, mineira, economista, católica romana, petista, 66 anos, foi anunciada como pré-candidata pelo Partido dos Trabalhadores à Presidência da República. A notícia, veiculada na mídia no dia 02/05/2014, não nos deixou perplexos. E por que deixaria? Afinal, quase todos os passos dados pela presidente indicam que ela está em busca de uma segunda temporada no cargo. Além disso, a ideia de reeleição não soa estranha aos eleitores pelo menos desde FHC. Aliás ? deve-se enfatizar ?, trata-se de algo que se espera de boas administrações e legislaturas no imaginário popular.
Aos olhares desatentos, a pré-candidatura Dilma pode se tratar tão-somente de mais uma notícia publicada nos jornais relembrando seu interesse em continuar presidente. Mas não é somente isso. Ao que parece, o intuito mais imediatista dessa ação é dissipar o "Volta, Lula", movimento que soa psicologicamente desconfortável. Ora, o bordão soa extremamente negativo quanto aos primeiros quatros anos do governo. Na simples frase "Volta, Lula" está implícita a ideia de que sua gestão não foi boa; que não merece uma reedição; que há outra pessoa mais competente para ocupar o cargo. São palavras que devem doer. Principalmente se vindas de seu próprio grupo, daqueles que, de algum modo estão lutando pelos mesmos objetivos, qual seja, manter o cargo de presidente da República nas mãos do partido.
De todo modo, Dilma deve seguir na condição de pré-candidata até junho, quando será (ou não) confirmada como candidata na Convenção Nacional do PT. Dissuadir o grito "Volta, Lula" talvez possa ser a parte mais fácil da empreitada. Complicado mesmo será lidar com a onda de manifestações esperadas para acontecer durante a Copa que se aproxima a cada hora que passa. O problema é que os ecos das manifestações ? se houver, conforme se prevê ? não será facilmente abafado. Como se sabe, as ondas de protestos, como os que ocorreram em 2013 e que ficou conhecido por manifestações ou jornadas de julho, assustam qualquer governo. Pois, conforme se constatou através de órgãos sérios de pesquisas, tais eventos fizeram com que o índice de popularidade de Dilma caísse vertiginosamente na época. Aliás, a tal queda no Ibope ainda deve estar muito viva na memória da pré-candidata.
Mas, aparentemente, o maior adversário da pré-candidata não é apenas o PSB de Eduardo Campos e Marina Silva, o PSDB de Aécio Neves e José Serra, ou outra força política emergente. O "inimigo" mais perigoso (e poderoso) de Dilma parece estar em casos como ? por exemplo ? o da compra das ações da refinaria de Pesadena em 2006 e que fez desdobrar no que atualmente vem sendo chamado de escândalo da Petrobras. Problema que, diga-se de passagem, tende a piorar com a instalação da CPI para investigar os fatos.
Na hipótese de ser confirmada como candidata, Dilma Rousseff e seu partido terão muito trabalho pela frente. Não será uma campanha fácil. De todo modo, PT, PSDB ou PSB (para citar os concorrentes que até aqui demonstram ser os mais fortes) não podem e não devem contar com a vitória antes da hora. Não será fácil para ninguém.
Gerson Vasconcelos Luz - professor de Filosofia