09 de julho de 2026
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Dia Internacional de Combate à Homofobia

Markinho da Diversidade
| Tempo de leitura: 3 min

No último sábado comemoramos o Dia Internacional de Combate à Homofobia. Entre 1948 e 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou a homossexualidade como um transtorno mental. Em 17 de maio de 1990, a assembleia geral da OMS (Organização Mundial de Saúde) aprovou a retirada do código 302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão". A nova classificação entrou em vigor entre os países-membro das Nações Unidas em 1993. Com isso, marcou-se o fim de um ciclo de 2.000 anos em que a cultura judaico-cristã encarou a homossexualidade primeiro como pecado, depois como crime e, por último, como doença.

No Brasil, a maioria dos avanços de direitos LGBTs se deu através do Poder Judiciário. O casamento entre pessoas do mesmo sexo, as concessões de benefício de saúde e até mesmo a adoção de crianças foram todas conquistas provenientes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Num país onde bandeiras sobre direitos humanos são deixadas em segundo plano por interesses particulares, o que resta é o Judiciário fazer o papel que seria do Legislativo.

Mas a comunidade LGBT ainda terá muita luta pela frente para atingir todos os seus objetivos. No Brasil, a cada 28 horas uma pessoa da comunidade LGBT é brutalmente assassinada enquanto a PLC 122, que criminaliza a homofobia, se arrasta por anos no Congresso Nacional sem votação.

Na Rússia, inúmeras leis anti-gays estão sendo aprovadas. Na Inglaterra, o casamento gay foi suspenso após uma semana da sua aprovação e em 37 países da África a homossexualidade é considerada crime, inclusive penalizada com a pena de morte. Muitos desses países recebem apoio financeiro de instituições religiosas para perseguirem a assassinarem pessoas da comunidade gay.

Mas essa luta não devem ser somente da comunidade LGBT.

Os negros, apesar de a escravidão ser abolida em 1888, ainda é comum possuírem empregos inferiores aos brancos. No Brasil, dois de cada três homicídios são de pessoas negras ou pardas. Os negros também são a maioria no sistema carcerário do país.

As mulheres, apesar de na maioria das vezes possuírem uma graduação maior que os homens, ainda recebem os salários mais baixos. Fora o assédio moral que vivem nos seus ambientes de trabalho. Cerca de um terço das mulheres em todo o mundo já sofreu violência ou abuso sexual do namorado, marido ou companheiro, de acordo com o primeiro grande estudo sobre o assunto. O relatório da OMS indica que aproximadamente 40% das mulheres mortas no mundo foram assassinadas pelos companheiros.

Apesar da criação do Estatuto do Idoso, nossos idosos sofrem muito com a violência e abandono, muitas vezes das próprias pessoas que deveriam os proteger. É comum ver no centro da cidade pessoas estacionando seus carros em vagas que seriam exclusiva para esse segmento. Nossas crianças, apesar de o Brasil também possuir um Estatuto que deveria protegê-las, ainda sofrem com abuso sexual, trabalho infantil e com tráfico de pessoas.

As pessoas com deficiência vem conquistando a cada dia que se passa os seus direitos, mas certamente ainda está longe do ideal.

O direito a mobilidade e a inserção no mercado de trabalho ainda são lutas a serem vencidas. Enfim, a luta é de todos nós. Costumo dizer que de todos os preconceitos o pior deles é aquele cometido contra os mais pobres e os desvalidos. O preconceito social é um câncer que devemos combater todos os dias da nossa vida.

Seguiremos na luta e não descansaremos um só dia enquanto existirem pessoas discriminadas por outras que acreditam fazer parte de uma raça superior. Como disse o João Pedro Feza no seu artigo do último domingo: "Insistir é uma arte". E é isso que faremos, continuarem insistindo sempre.

Parabéns a todos que lutam e que defendem uma sociedade justa, fraterna e igualitária.

O autor é empresário e vereador em Bauru