08 de julho de 2026
Geral

Criança passa mal com vodca e remédio

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Uma menina de apenas 11 anos passou mal e precisou ser socorrida até o Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru após ingerir medicamentos e bebida alcoólica que teriam sido oferecidos a ela por uma adolescente próximo à escola estadual localizada no Núcleo Presidente Geisel, na tarde de anteontem.

A criança foi submetida a uma lavagem estomacal e permaneceu internada na unidade hospitalar até o final da manhã de ontem, quando recebeu alta. O caso foi registrado na Polícia Civil e será investigado, uma vez que a acusada de induzir a menina a tomar os medicamentos ainda não foi identificada.

De acordo com o boletim registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ), a Polícia Militar (PM) foi acionada até o PSC, onde a vítima já se encontrava sob cuidados médicos. No local, os policiais constataram que ela teria ingerido sete comprimidos e um copo de vodca, oferecidos por uma “conhecida” nas proximidades da escola em que estuda. No entanto, a criança não soube informar a identidade da colega.

De acordo com o que a vítima contou para a mãe (os envolvidos terão os nomes preservados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente), ela teria conhecido a adolescente que lhe ofereceu o medicamento e a bebida há pouco tempo. “Ela disse que conheceu a menina há 15 dias e que só aceitou tomar os comprimidos porque achou que fosse bala de mascar”, disse a mãe da criança.

Após ingerir os produtos, a menina teria se sentido mal e um popular que passava pelo local percebeu a situação e chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

“Eu estava em casa e recebi a ligação avisando que minha filha tinha sido internada. Fiquei muito preocupada porque nunca aconteceu isso. Agora, o médico disse que ela já está bem e não corre risco de morte”, contou a mãe.

Ainda segundo o registro policial, não foi possível identificar a natureza dos comprimidos dados à criança, que será submetida a exames. Os resultados devem ser anexados ao processo investigatório da Polícia Civil.

Vodca

Questionada sobre a criança fazer uso frequente de bebidas alcóolicas, a mulher lembrou de outra ocasião em que a filha teria consumido vodca. “Uma vez, em um aniversário, ela bebeu vodca”, contou.

Atualmente, a menina vive com a mãe, padrasto e mais quatro irmãos, todos mais novos do que ela. Dentro de casa, ainda segundo a mãe, afeto e atenção não faltam. “Meu marido sempre dá carinho e conversa muito com ela”, disse.


Internações

No ano passado, o Jornal da Cidade abordou o problema do alcoolismo na infância. Na ocasião, três crianças menores de 12 anos foram internadas em Bauru, em 2013, para tentar se recuperar de uma rotina regada a bebidas. Entre os casos, um menino que começou a ingerir bebidas alcóolicas com apenas 8 anos de idade.


‘Amizade entre crianças e jovens com idades diferentes não é boa’

Os psicólogos sempre alertam para que os pais fiquem atentos às amizades e companhias dos filhos. No entanto, quando há diferença de idade, a cautela deve ser ainda maior. É o que afirma a psiquiatra e professora Florence Kerr Correa, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

“As amizades frequentemente entre crianças de idades diferentes, seja de sexo igual ou diferente, nunca é muito boa, porque tem crianças com comportamento de buscar agradar os outros. Talvez devido à baixa autoestima”, explica.

A psiquiatra reforça o diálogo entre pais e filhos e alerta para um problema comum: o da autoafirmação. “Acaba ocorrendo uma espécie de autoridade da maior sobre a menor, que quer agradar para ser introduzida na turma. Isso pode ser atribuído ao processo de autoafirmação, mas existe também pessoas com traços de personalidade que gostam de buscar riscos”.

Nesse caso específico, Florence Kerr acredita que seja preciso buscar ajuda profissional. “A mãe deve procurar ajuda especializada para saber lidar com a situação. Conversar com os pais das amigas da filha também é essencial”, orienta.