09 de julho de 2026
Nacional

Ex-agente do DOI confessa ter torturado mais de 500


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Em depoimento recente ao Ministério Público Federal, o coronel reformado da Polícia Militar Riscala Corbaje confessou ter torturado mais de 500 presos entre 1970 e 1972, período durante o qual chefiou a equipe de interrogatório do Destacamento de Operações de Informações do 1º Exército, na Tijuca (Rio). 

 

Trechos do depoimento de Corbaje foram publicados ontem pelo jornal “O Globo”. Corbaje, que usava o codinome “Nagib”, disse que fazia os presos urrarem de dor no pau de arara, com o peso do corpo “em cima dos dois nervos que passam por debaixo da perna”. 

 

“Você pega um estudante, bota ele com o peso do corpo numa barra de ferro e deixa ele 15 minutos pendurado no pau de arara. Não precisa dar choque. O cara urra de dor.” 

 

O ex-agente, que segundo a reportagem está cego e doente, reclamou da pouca experiência do médico Amílcar Lobo, então um jovem tenente de 23 anos, e de sua incapacidade de avaliar as condições de saúde dos presos para que a tortura pudesse continuar. 

 

Corbaje admitiu ter participado também de sessões de eletrochoque. Ao encerrar seu depoimento, disse não se arrepender: “Não tenho o menor peso na consciência”.