09 de julho de 2026
Ciências

Vermelho: as causas do câncer bucal!


| Tempo de leitura: 3 min

Estive nos pampas gaúchos e participei do Maio Vermelho, uma forma para conscientizar pessoas sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer bucal, como Outubro Rosa para câncer de mama e Novembro Azul, para o de próstata.

 

Procurei ser anti-herói: aquele de quem se espera certo comportamento, mas se faz exatamente o contrário! Em geral, palestras mostram casos clínicos sinistros e histórias macabras de pessoas que não tomam cuidado e o câncer evoluiu. Os ouvintes ficam com medo, mas o medo não conscientiza ninguém, o que conscientiza é conhecimento e tomada de consciência. Se queremos que se previnam do câncer bucal, digamos com todas as letras:

 

1- Ter câncer de boca é um absurdo, pois sabemos suas causas e como aparece. 

 

2- A boca é acessível e as pessoas podem auto-examiná-la todos os dias. 

 

3- Pelo menos uma vez ao ano, as pessoas devem ir ao médico da boca, mais conhecido como cirurgião dentista, para que a examine. 

 

4- O câncer na boca avisa antes que pode aparecer com manchas brancas, vermelhas ou escuras.

 

A boca é porta de entrada e nela passa quase tudo: ingerimos, respiramos, amamos, contatamos e imaginamos. Alimentos, objetos, dedos, corpos, gazes, poeira, químicos, insetos, parasitas, fungos, bactérias e vírus! Mais ainda: herbicidas, conservantes, aromatizantes, corantes, água oxigenada, álcool, hipoclorito de sódio, formol, sabão, pesticidas, hidrocarbonetos, tabaco, cosméticos, perfumes, temperos ou tudo! A boca é o local mais contaminado e exigido do corpo.

 

Neste ano teremos 7 a 14 mil casos de câncer na boca. As campanhas de prevenção poderiam deixar de priorizar o diagnóstico precoce de lesões pequenas e das alterações cancerizáveis que o antecedem e focar no evitar das causas do câncer bucal. Há 15 anos as causas mais importantes eram: tabaco com ou sem fumaça, álcool e raios solares no lábio inferior. Hereditariedade não é importante nos casos de câncer bucal. O perfil do portador era pessoa com mais de 50 anos, branco, fumante e etilista, ou com história de exposição repetida ao sol. 

 

Agora as causas e o perfil do portador mudaram. A principal causa relacionada ao câncer de boca é o HPV ou vírus do papiloma humano presente em  80% dos casos nos hospitais oncológicos. A prevenção e a proteção contra os raios solares ultravioletas B reduziram a incidência do câncer de lábio inferior que deixou de ser o mais frequente e foi ultrapassado pelo de língua!

 

O paciente com câncer bucal agora são pessoas jovens entre 30 e 45 anos, não fumantes, independentemente do gênero e etnia. São pessoas que começaram a vida sexual muito cedo, tiveram muitos parceiros/as e que praticaram sexo oral indistintamente.

 

Tabaco e álcool continuam importantes, mas não como antigamente e ainda precisamos insistir: não usem enxagues/antissépticos com álcool na composição, não usem xaropes alcóolicos nas crianças e evitem colocar na boca produtos que tenham peróxido de hidrogênio ou água oxigenada para clarear os dentes. Água oxigenada e álcool potencializam os efeitos carcinogênicos de produtos que passam às dezenas pela boca.

 

A sociedade deve ser esclarecida, inclusive pré-adolescentes, que sexo oral não é só quando coloca-se a boca nos órgãos genitais do outro! Ao fazer carícias íntimas em uma pessoa e depois levar os dedos na sua boca, em termos virais e químicos é sexo oral e pode levar HPV de um lugar para o outro! Um simples beijo, pode não ser tão simples, mesmo aquele selinho “sem maldade”!

 

Depois do beijo que rolou um carinho por debaixo da roupa: houve sexo oral pelo toque dos dedos e mãos com a boca. Sinto muito, mas depois das carícias íntimas, se cumprimentar alguém com as mãos ou dar beijinhos nos amigos, do ponto de vista viral, fez-se sexo oral com eles! Quanto ao risco biológico, para a OMS o conceito de promiscuidade sexual se aplica a qualquer pessoa que tem mais do que dois parceiros/as ao ano. 

 

Expliquei isto nas conferências para procurar prevenir a ação de causas do câncer bucal, pois diagnosticar precocemente seus sinais é importante, mas pode ser tarde! Nos tempos atuais, sexo oral e câncer bucal andam juntos: tenhamos coragem e falemos isso abertamente!