10 de julho de 2026
Geral

Câmara cobra secretário Fernando Monti sobre Saúde

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Quisohi Goto

Déficit de servidores atinge Pronto-Socorro, Pronto Atendimento Infantil e UPAs 

Qual a solução para os problemas apontados por médicos e servidores que atuam na urgência e emergência em Bauru? Os vereadores não sabem, mas querem cobrar respostas do secretário de Saúde, Fernando Monti. Em regime de urgência, a Câmara Municipal aprovou a convocação de audiência pública para as 18h de amanhã. A preocupação aumentou diante da possibilidade de profissionais se recusarem a trabalhar em plantões extras.

 

A notícia foi levada aos parlamentares por Ricardo Barbosa e Roseli Garcia, presidente e membro do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC). “Como não há perspectivas de mudanças da situação que está instaurada, há uma tendência de que eles deixem de cumprir as jornadas extras. Eles têm seus sindicatos que podem defendê-los. Nossa preocupação é com a possível interrupção dos serviços”, explicou o representante do órgão.

 

Como mostrou o JC de segunda-feira (26), funcionários relatam que há grande déficit de pessoal na enfermagem, radiologia, apoio e limpeza. A situação é idêntica em relação aos médicos, cuja falta de profissionais já é conhecida há mais tempo. 

 

A situação provocou o fechamento de alguns setores e exige sobrecarga de trabalho dos servidores por meio dos plantões extras. Sem eles, além do PSC, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Pronto Atendimento Infantil (PAI) não funcionariam 24 horas ao dia.

 

Críticas

 

Novos elementos apresentados por vereadores durante a sessão legislativa desta segunda-feira endossaram os relatos dos funcionários. Raul Gonçalves Paula (PV) mostrou ofício, destinado a Rodrigo Agostinho (PMDB), assinado, em novembro de 2013, pelo Conselho Gestor da UPA do Mary Dota.

 

“A equipe de enfermagem está defasada. Temos quatro auxiliares e quatro técnicos de enfermagem. Temos que pensar que podem ocorrer imprevistos (licença médica) ou férias. Hoje, para manter o atendimento, a unidade depende da colaboração dos funcionários para a realização de horas extras diárias”, informa o documento protocolado no Gabinete. 

 

O vereador Lima Júnior (PSDB), por sua vez, exibiu imagens em vídeo do PSC que corroboram o relato de que a Unidade de Pacientes Graves (UPG) já funcionou sem a supervisão de funcionários, em razão do déficit de pessoal. 

 

Audiência

 

Diante da gravidade do cenário, Fabiano Mariano (PDT), com a assinatura de Carlão do Gás (PR), solicitou a presença do secretário de Saúde para a audiência pública convocada para amanhã. “Acredito que é dele a responsabilidade de responder às questões que estão colocadas”.

 

Líder do governo, Renato Purini (PMDB) pediu cautela e bom senso aos funcionários da urgência e emergência. “Precisamos garantir a manutenção dos serviços e para isso todos precisam permanecer em seus postos de trabalho”.

 

Alternativas

 

O peemedebista anunciou, na tribuna, que o município havia saído do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e poderia voltar a contratar. 

 

“A partir disso, vamos ter que rediscutir o que está aí hoje. Do jeito que está, não dá para ficar. Uma possibilidade pode ser o aumento no valor pago pelos plantões”.

 

A saída apontada pelo líder da bancada governista é combatida por Raul Gonçalves Paula (PV). O vereador, bem como Roque Ferreira (PT), defende a criação da carreira do médico socorrista. “É uma forma de atrair mais profissionais e dar fim à dependência dos serviços aos plantões médicos”, observa o verde.

 

Diretor

 

Como publicou já o Jornal da Cidade, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, alega ser, junto ao secretário Fernando Monti, vítima de um grupo de médicos que tentam desestabilizar a administração.

 

A declaração divulgada ontem aumentou ainda mais a indignação de servidores do Pronto-Socorro Central (PSC) e outras unidades do município. Além dos funcionários que relataram as condições de trabalho ao JC, outros entraram em contato ao longo da segunda-feira para rechaçar o posicionamento de Sabbag. 

 

O diretor também foi alvo de críticas na Câmara Municipal. Roberval Sakai (PP) dirigiu as mais duras. “Esse senhor deve viver em outro mundo. Só ele não enxerga os problemas. A situação é oposta: tem servidor sendo perseguido por dizer a verdade. Ele está cavando a própria sepultura”, bradou.