09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Direita se mexe no lodo!


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Nas últimas semanas essa democrática tribuna foi invadida por direitistas empedernidos, que biliosa e deseducadamente ofenderam ? ao meu sentir ? o trabalho de meu colega e amigo Arthur Monteiro Júnior junto à Comissão da Verdade da OAB. Eu pacientemente esperei que o Arthur se pronunciasse de que tinha certeza depois de um contato que tivemos. E a resposta do dr. Arthur surgiu ? como sempre ? de modo gentil, sereno, educado e com argumentos irrefutáveis que justificavam (embora não o precisasse) seu ideário político. Isto feito, posso dizer o que penso.

A velha direitona do Brasil, hoje praticamente falida, começa a erguer a cabeça do lodaçal em que estava enterrada, certamente por entender que de novo chegou a sua vez. E que teria eleitoralmente alguma chance no pleito que se desdobrará em outubro deste ano. Nada mais improvável porque hoje a direita brasileira é praticamente o exército de um homem só: Jair Bolsonaro. Ela que no passado tinha intelectuais como Gustavo Corção e Tristão de Athayde, o bispo dom Sigaud e Plínio Correa de Oliveira (e sua TFP) luziu o quanto foi possível na época do golpe militar de 64.

Contrariamente ao que afirmaram o advogado e o professor de história - a quem não conheço, o que não altera meu sono em qualquer hipótese ? a mão, os braços e principalmente os pés dos Estados Unidos foram decisivos para que um grupo de militares se empolgasse e tomasse o poder. Primeiro porque Jango era muito fraco como presidente. Conciliador em demasia, homem acostumado ao bom uísque e às belas mulheres (inclusive a própria), não era comunista coisa nenhuma. Estancieiro rico acostumado a cavaquear nas coxilhas de céu sangrento dos pampas, tinha extrema afinidade com o povo. Aliás, era adorado pelo povo. Os EUA temiam sua liderança e urdiram o golpe. Isto está provado por cartas trocadas entre o então embaixador americano Lincoln Gordon e o secretário de Estado americano, quando não o próprio presidente da república (Lindon Johnson). Cartas publicadas por jornais brasileiros totalmente avessos ao pensamento esquerdista, como O Globo e o Estadão. Portanto, esta é mais uma prova de credibilidade.

A Comissão da Verdade é um órgão de Estado. E para tristeza dos achacadores do dr. Arthur, foi criada não no governo Lula, mas no governo FHC. E agora, como ficamos? Será que os eleitores de Aécio sabem disso? O papel que a OAB representa é de crucial importância nestas comissões. Tanto o dr. Arthur como o dr. Gilberto Truijo (que encontro sempre com renovada satisfação, no Forum Trabalhista) são pessoas dedicadas a uma causa nobilíssima. O Brasil precisa redescobrir sua verdade, exorcizar seus demônios, para se tornar uma nação completa e adulta. Semelhante ao que aconteceu com a Alemanha ao reconhecer a atrocidade do nazismo. E até da Igreja, ao reconhecer a prática de pedofilia praticada por padres e bispos. Ocorre que os crimes cometidos pelos militares durante a Ditadura são imprescritíveis, porque crimes contra a humanidade. Daí a necessidade de descobrir os culpados e puni-los. E não adianta vir com a chorumela que a anistia zerou tudo. Não é verdade!

Às vítimas da ditadura se atribuía resumidamente uma única culpa. O delito de pensar diferentemente do pensamento tacanho e verticalizado das hostes e dos chefes militares. Honra seja feita a vários militares que foram cassados (por ex. Nelson Werneck Sodré) e outros que, à sua maneira, condenaram o golpe como, por exemplo, o general Lott, o general Albuquerque Lima, o general Euler Bentes Monteiro e tantos outros..

Portanto, como isto não é uma aula de história, concluo sentindo pena dos alunos de História do tal professor missivista, bem como lamentando a atitude raivosa e pouco ética do advogado, na medida em que ambos, usando da liberdade que foi conquistada nesta país a duras penas (inclusive com a imolação de Rubens Bernodt Paiva, que parece, está finalmente solucionada pela Comissão da Verdade com seu desaparecimento e morte atribuído a alguns oficiais do Exército brasileiro), elegeram o dr. Arthur como seu alvo preferido. Ao alvejar o Arthur me alvejaram também e certamente muitos outros, ou a maioria dos homens de bem deste país.

Arthur, repito, é um homem educado, democrata convicto (do tipo "não concordo com uma palavra que você diz mas defenderei até a morte seu direito de fazê-lo") e pronto para travar o bom combate de ideias. O que faz brilhantemente, tendo uma bagagem informativa no campo político que poucos podem ostentar. O que, lamento, não deve ser o qualificativo do professor de história e do advogado provocador. Pelo seu perfil, creio que Arthur não levará o advogado ao Tribunal de Ética da OAB. Mas deveria fazê-lo. E eu gostaria muito de assistir a uma solene sessão de desagravo na nossa tão querida OAB, com a presença solidária de todos que sonham um Brasil e um mundo melhor. Atenciosamente.

Marco Antônio de Souza