A elevada oferta de imóveis residenciais para alugar e a demanda insuficiente de inquilinos já começam a reduzir o preço das locações em Bauru. O crescimento do número de imóveis vagos já vinha se desenhando desde o ano passado e passa a confirmar, agora, uma tendência esperada como consequência.
|
Reprodução |
|
|
|
Com elevada oferta de moradia e demanda insuficiente, bauruenses que querem alugar ou já pagam aluguel ganharam poder de negociação |
Passados os primeiros meses do ano, em que o segmento habitualmente é mais aquecido, os proprietários estão tendo de se desdobrar para atrair novos locatários e, também, manter os que já ocupam as unidades. O fenômeno é percebido, principalmente, nas regiões em que há grande concentração de prédios residenciais.
Diante da grande variedade de opções disponíveis no mercado, o inquilino, hoje, ocupa uma posição inimaginável há alguns anos: é dele o poder de negociação. Coordenador de novos empreendedores do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru, Bruno Pegorin explica que, nos últimos dois anos, o volume na oferta de imóveis cresceu bastante em razão da conclusão de muitos empreendimentos que estavam em construção.
Sem que a demanda acompanhasse o mesmo ritmo, os preços praticados nos novos contratos acabaram não sofrendo acréscimos. “Essa se tornou a vantagem mais comum oferecida pelo mercado. Outra estratégia é dar desconto ou carência por algum período, em troca de alguma benfeitoria no imóvel. Sempre é válido negociar”, comenta.
Segundo o delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Carlos Eduardo Candia, quando não há efetiva redução de preços, o abatimento de valores por tempo determinado pode durar até seis meses. “Para a locação de um apartamento de R$ 700,00 mensais, o proprietário pode dar desconto de R$ 150,00”, exemplifica.
Vagos
De acordo com ele, os apartamentos de médio padrão, com até dois dormitórios e valor de locação entre R$ 500 e R$ 1 mil, são os que mais têm sofrido redução de preços, por serem o perfil de imóvel que mais se expandiu na cidade.
Por não terem demanda suficiente em algumas regiões, muitos acabam ficando vagos e o proprietário, com a obrigação de pagar as taxas condominiais mensais, precisa lançar mão de estratégias para não sofrer prejuízos. “Muita gente tem locação como parte de rendimentos e não pode perder dinheiro com o apartamento fechado. Então, diante da grande oferta no mercado, a saída é reduzir o preço”, pontua Candia.
E a capacidade de negociação do locatário, neste sentido, pode ser determinante para baixar o valor. Ciente deste poder, o auxiliar administrativo e estudante universitário Luiz Roberto Costa Moreno, 31 anos, já está preparado para renegociar o aluguel do apartamento onde mora, no Jardim Contorno.
Atualmente, ele desembolsa R$ 720,00 por mês pela locação. Mas, recentemente, por meio de pesquisas no site da imobiliária, descobriu que já há unidades similares à sua cujo aluguel baixou para até R$ 550,00 – valor que ele pagava cerca de dois anos atrás.
“Como meu contrato atual completa 12 meses no mês de julho, posso encerrá-lo sem pagar multa. Já entrei em contato com a imobiliária para rever este valor. Caso contrário, me mudo para outro apartamento no mesmo prédio”, cogita. Segundo ele, a imobiliária já sinalizou com a possibilidade de reduzir o valor da locação.
Estabilidade
Segundo o Secovi-SP em Bauru e o Creci, a queda de preços no valor dos aluguéis não terá vida longa. As entidades acreditam que, em médio prazo, a tendência é de estabilização dos valores, à medida que a população for aumentando e a cidade, se desenvolvendo.
“Novos empreendimentos, por exemplo, atraem grande número de novos moradores para o município”, pondera o delegado regional do Creci, Carlos Eduardo Candia.
O coordenador de novos empreendedores do Secovi-SP, Bruno Pegorin, destaca ainda que a oferta de imóveis irá se adequar à demanda porque, nos próximos anos, não há previsão de entrega de empreendimentos na mesma proporção ocorrida entre 2012 e 2013. “A demanda de novas moradias foram equilibradas nos últimos dez anos”, reforça.
Imóveis comerciais
Assim como os imóveis residenciais, no último ano também aumentou o número de salões comerciais vagos, conforme revela o delegado regional do Creci, Carlos Eduardo Candia. Porém, de acordo com ele, a redução de preços para locação, neste último caso, ainda não é tão perceptível. “Mas, com certeza, os proprietários também estão abertos a negociações”, frisa.
Coordenador de novos empreendedores do Secovi-SP em Bauru, Bruno Pegorin explica que a oferta de imóveis comerciais é bastante específica, já que a localização pode ser mais importante do que o próprio imóvel. Nesses casos, a redução de preços ocorre quando é necessária uma grande adaptação do imóvel para abrigar o empreendimento pretendido.
“O aceite do proprietário (para negociar) está ligado à valorização do seu patrimônio. Nos casos em que o imóvel está pronto para o uso, os novos contratos tendem a acompanhar o índice da inflação”, destaca.