09 de julho de 2026
Cultura

Do livro à telona


| Tempo de leitura: 2 min

Depois da saga “Harry Potter”, que terminou em 2011, fazia tempo que um sucesso da literatura infanto-juvenil não agradava tanto a leitores de todas as idades quanto a história de “A Culpa É das Estrelas”. A adaptação para os cinemas da obra do escritor americano John Green estreia hoje em Bauru e conta com uma legião de fãs ansiosos para ver os personagens do livro ganharem vida.

Nem de longe se trata de uma superprodução como a inventada pela britânica J.K Rowling. Não há efeitos especiais nem seres fantásticos. Muito pelo contrário: o casal protagonista criado pelo escritor americano é bem real. Os adolescentes Gus (Ansel Elgort) e Hazel (Shailene Woodley) se conhecem em um grupo de apoio para jovens com câncer e se apaixonam. O problema é que Gus começa o filme com a doença controlada, enquanto Hazel sabe que não terá muitos anos de vida pela frente, pois seu câncer não tem cura.

Diante do óbvio clima de dramalhão, Green lança mão de seu maior trunfo: um humor levemente negro, que permite ao espectador rir do trágico trio que rouba a cena: com os pulmões frágeis, Hazel não pode ir a lugar nenhum sem seus tubos de oxigênio, Gus não possui metade de uma perna, e seu melhor amigo, Isaac (Nat Wolff), perde os dois olhos - além da namorada gostosona - para a doença.

Cientes de seu pouco tempo de vida, os jovens têm a oportunidade de viver da maneira mais intensa que poderiam: com a certeza de que o mundo vai, sim, acabar amanhã.

Livro

Se por um lado o filme segue quase que fielmente o enredo do livro, por outro, assistir à produção não tira o prazer da leitura do best-seller de John Green. Tanto que, durante as semanas que antecederam a estreia do longa-metragem, a procura pelos livros do norte-americano (há mais de um ano na lista de mais vendidos) só aumentou. A prosa de Green, leve e repleta de diálogos, agrada facilmente.


Truques para chorar

“A Culpa É das Estrelas” pode ser considerado como uma atualização do lacrimoso “Love Story” (1970).

Ou seja, um casal construído no binômio amor incondicional/doença fatal para que Hollywood reafirme: “Continuamos dominando a ciência da extração de lágrimas”. O dado novo que o filme traz à fórmula é a ênfase na virgindade. Como em “Crepúsculo”, “A Culpa É das Estrelas” faz elogio não muito discreto ao celibato - que nos lembra que o mundo e o cinema se tornaram mais conservadores que nos anos 1970.

Fora isso, os truques para aflorar a emoção estão lá: trilha sonora dramática, câmera lenta, closes nos rostos de personagens desfigurados pela dor. O resultado são lágrimas e soluços arrancados com precisão cirúrgica.