10 de julho de 2026
Internacional

Pentágono diz que vai investigar deserção de militar sequestrado


| Tempo de leitura: 2 min

O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (4) que averiguará todas as circunstâncias em torno da captura do sargento Bowe Bergdahl para verificar as acusações de que o militar teria desertado de sua unidade em 2009. 

 

Em comunicado, o chefe do Exército americano, o general Raymond Odierno, disse ontem que, após a libertação do militar de 28 anos, sua prioridade é “cuidar de sua saúde e assegurar que o mesmo será reintegrado apropriadamente (a sua nova vida)”. 

 

No entanto, o general explica que, “em seu devido momento”, realizará uma profunda, transparente e completa investigação das circunstâncias que rodearam sua captura. 

 

A cidade natal do militar americano cancelou uma festa de boas-vindas para o sargento devido às suspeitas de que ele teria desertado antes do sequestro. 

 

O município de Hailey, Idaho, faria uma celebração no próximo dia 28 de junho. Oficialmente, o comitê organizador diz que a cidade “não será capaz de receber de forma segura o número de pessoas esperadas”. 

 

Atualmente, Bergdahl se encontra em um hospital militar em Landstuhl, na Alemanha, e, na sequência, será trasladado a um centro médico em San Antonio, no Texas, onde reencontrará sua família. 

 

Vídeo

 

Em vídeo divulgado ontem pelo Talibã, o soldado Bowe Bergdahl, parecendo atordoado, é conduzido por dois militantes, um deles carregando uma bandeira branca improvisada em uma vara, até um helicóptero Blackhawk no leste do Afeganistão, encerrando assim seus cinco anos de cativeiro.

 

Nas primeiras imagens da entrega de Bergdahl para os militares dos EUA divulgadas publicamente, o clipe mostra membros do Taliban posicionados em montanhas nas proximidades e armados com lançadores de foguetes, observando a transferência.

 

A operação, desde o momento em que o helicóptero tocou o terreno em meio a uma nuvem de poeira, no fim de semana, transcorreu em um minuto.

 

“Não entrem em pânico”, gritaram os militantes enquanto o Blackhawk aterrissava no vale desértico na Província de Khost, perto da fronteira com o Paquistão.

 

De Bruxelas, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, disse que seria “injusto” com Bergdahl e sua família “dar por feito” que o mesmo é um desertor, como asseguram alguns dos membros da companhia em que servia no Afeganistão. 

 

Segundo alguns de seus companheiros do Exército, no final de junho de 2009, Bergdahl abandonou seu posto avançado em uma zona montanhosa do leste do Afeganistão, descartando a possibilidade dele ter sido capturado em batalha ou ter se perdido durante uma patrulha noturna. 

 

Em declarações ao jornal “Daily Beast”, Nathan Bradley, que serviu na mesma unidade que Bergdahl, disse que o então soldado raso abandonou seu posto de maneira voluntaria, deixando para trás sua arma e seu colete à prova de balas, mas não sua bússola. 

 

“Bergdahl era um desertor e soldados de sua própria unidade morreram tentando encontrá-lo”, assegurou Bradley. 

 

Segundo mensagens de e-mail entre Bergdahl e sua família, o soldado estava desencantado e envergonhado com o papel dos Estados Unidos na Guerra do Afeganistão.