08 de julho de 2026
Internacional

China marca massacre sob forte vigilância


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Espremidas em uma fila longa e demorada, duas turistas chinesas se perguntavam qual seria o motivo da segurança ultrarreforçada para entrar na praça da Paz Celestial, no coração de Pequim, ontem.

 

Tentando ajudar, um chinês de trajes simples que está um passo à frente arrisca um palpite: “Deve ser alguma data comemorativa do Mao Tsé-tung”. Não era.

 

A data era o aniversário de 25 anos do massacre de estudantes na praça, um dos eventos mais dramáticos da história da China e, ao mesmo, tempo ignorado por muitos, como os turistas da fila.

 

Mesmo em plena era das redes sociais e da comunicação instantânea, o governo chinês conseguiu manter boa parte da maior população do planeta alheia ao fato. A ação contra os manifestantes terminou com centenas, talvez milhares de mortos. O número nunca foi revelado.

 

Em Hong Kong, território que pertence à China mas mantém certa autonomia política, um público recorde de 180 mil pessoas, segundo os organizadores, participou de uma vigília com velas acesas para lembrar o massacre.

 

Na China, o silêncio foi mantido à força. Correspondentes estrangeiros com longa experiência no país contam que jamais o governo se esforçou tanto como neste ano para evitar que o aniversário fosse lembrado.

 

Mais de 60 ativistas foram presos nas últimas semanas. O controle à internet aumentou. Só uns poucos parentes de vítimas do massacre foram autorizados a visitar os túmulos, e mesmo assim sob forte vigilância.