As principais nações industrializadas do mundo ameaçaram ontem impor sanções mais duras à Rússia se o país não ajudar a restaurar a estabilidade no leste da Ucrânia, onde milícias pró-Rússia continuam atuando à vontade.
Embora a Ucrânia tenha conseguido realizar uma eleição presidencial essencialmente pacífica no mês passado, a situação no leste, perto da fronteira russa, continua volátil, com grupos armados atacando forças do governo ucraniano e ocupando edifícios estatais.
“Estamos prontos para intensificar sanções específicas e cogitar significativas medidas restritivas adicionais para impor custos maiores à Rússia caso os eventos nos forcem a fazer isso”, declarou o G7 em um comunicado depois das conversas no fim da tarde de ontem em Bruxelas.
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que as potências ocidentais irão verificar “repetidas vezes” se a Rússia está fazendo o que pode para estabilizar a situação depois de ter anexado a península da Crimeia em março.
“Não podemos nos dar ao luxo de uma desestabilização ainda maior na Ucrânia”, declarou Merkel a repórteres. “Se não tivermos progressos nas questões que temos que resolver, há a possibilidade de sanções, até de sanções pesadas de fase 3”, disse ela, referindo-se a restrições em comércio, finanças e energia.
Até agora, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram medidas relativamente brandas, como proibições de viagem e congelamentos de bens, contra dezenas de autoridades russas em reação à anexação da Crimeia, no leste da Ucrânia.
‘Tática obscura’
O presidente dos EUA, Barack Obama, aproveitou uma visita à Polônia ontem para novamente criticar a atitude do governo russo na crise com a Ucrânia.
Para ele, a Rússia adota “táticas obscuras do século XX para definir o século XXI”.
“Os dias de império e esferas de influência acabaram”, afirmou. “As grandes nações não podem ter permissão para assediar menores e impor suas vontades no cano de arma ou com homens mascarados invadindo prédios.”
O discurso foi feito na presença do recém-eleito presidente da Ucrânia, o magnata Petro Poroshenko, que se reuniu com Obama em Varsóvia -lideranças políticas foram à cidade para celebrar os 25 anos do fim do comunismo polonês.
Ucrânia continua ofensiva
Forças do governo da Ucrânia prosseguiram ontem com uma ofensiva contra separatistas pró-Rússia no leste do país e afirmaram ter infligido pesadas baixas aos rebeldes. Um porta voz da operação, definida pelo governo central como “antiterrorista”, disse que mais de 300 combatentes rebeldes foram mortos e cerca de 500 ficaram feridos em confrontos violentos nas últimas 24 horas dentro e nas proximidades da estratégica cidade de Slaviansk, um reduto separatista. Fontes separatistas não puderam ser imediatamente contatadas para apresentar sua cifra de vítimas desde os combates de terça-feira, nos quais as forças do governo usaram aviões, helicópteros e artilharia para expulsar os separatistas de Slaviansk, que eles controlam desde abril. Descrevendo o confronto como “pesado”, o porta-voz das forças do governo, Vladyslava Seleznyov, disse que dois militares foram mortos e 45 ficaram feridos.