A Caixa Econômica Federal ganhou uma folga para ampliar seus empréstimos nos próximos anos sem precisar de recursos do governo.
O Conselho Curador do FGTS aprovou nesta quinta-feira (5) a conversão de parte da dívida do banco com o fundo, que passa a ser classificada como dívida subordinada.
Isso permite à instituição financeira contabilizar os recursos que já entraram no banco por meio desse endividamento como parte do seu capital.
O aumento do capital, por sua vez, dá à instituição condições de conceder mais empréstimos.Pela regra brasileira, cada R$ 1 de capital possibilita ao banco garantir empréstimos de cerca de R$ 9.
A mudança aprovada nesta quinta-feira (5) pelo conselho envolve R$ 10 bilhões, que podem garantir empréstimos de até R$ 90 bilhões.
Dívida com FGTS
A Caixa deve R$ 200 bilhões ao fundo, sendo que R$ 11 bilhões já eram classificados como dívida subordinada. É a quarta vez que o banco recebe essa autorização do conselho.
Ao se tornar dono de uma dívida com essas características, o FGTS aceita ficar atrás de outros credores da Caixa em caso de liquidação da instituição financeira.
O conselho condicionou a conversão da dívida ao compromisso da Caixa de utilizar os recursos para garantir futuras operações nas áreas de habitação, saneamento e infraestrutura com recursos do fundo.
Crédito
A Caixa reduziu o ritmo de liberação de crédito este ano, entre outros motivos, por conta da limitação de capital. O forte crescimento recente deixou o banco mais próximo do limite fixado pelo Banco Central.
Uma capitalização da Caixa pelo Tesouro teria impacto negativo nas contas públicas, motivo pelo qual a instituição busca fontes alternativas.
Os R$ 10 bilhões se referem a juros e amortização de operações de crédito cm recursos do FGTS já contratadas, com vencimento superior a cinco anos.