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Apesar do combate, o trabalho infantil ainda é um tema que merece destaque. Dados levantados pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) apontam que havia 105 casos iminentes durante todo o ano passado. Em 2014, até maio, já haviam sido computadas 123 ocorrências, totalizando uma elevação de 17% em relação ao ano passado inteiro. Para se ter uma ideia, só no mês passado, foram registrados 22 casos de risco.
Justamente por isso, foi lançada uma campanha ontem no Café com Política do JC (leia mais ao lado). De acordo com a responsável pela pasta, Darlene Martin Tendolo, um dos motivos pode ser exatamente a proximidade com a Copa do Mundo. “Normalmente, os pais fazem com que os filhos vendam lembranças da Copa e, como neste ano o evento será sediado no Brasil, muitas pessoas de fora visitarão o País”, explica.
A iminência do trabalho infantil é calculada por meio de cadastros das famílias. Darlene explica que o órgão monitora famílias de maior vulnerabilidade social por meio de denúncias e do Cadastro Único (CadÚnico). Se for constatado, por exemplo, que a criança falta demais na escola, ela entra no grupo de risco.
“Desde 2012, não há registro oficial de trabalho infantil, porque as equipes do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) acompanham e orientam as 100 mil pessoas cadastradas no CadÚnico sobre a importância de manter as crianças nas escolas e em projetos sociais, como o Ação Jovem e o Bolsa Família”, pontua.
Além disso, Darlene reitera que o monitoramento mais difícil de fazer é do trabalho doméstico, porque muitas famílias precisam da ajuda das crianças em casa, tanto cuidando dos irmãos mais novos, quanto realizando serviços de limpeza. “O trabalho infantil é identificado quando as crianças deixam de frequentar as escolas e participar de atividades de lazer. Porém, nós não podemos ser radicais a ponto de impedir os pequenos de ajudar em casa. As crianças só não podem substituir educação e lazer pelos serviços domésticos”, finaliza a secretária.
Denúncias
Cristiane Parisoto Masiero, vice-presidente da Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil (Cometi), acredita que os casos de possibilidade de trabalho infantil estão cada vez mais visíveis.
Para ela, a população está mais consciente, inclusive, para denunciar as ocorrências junto aos órgãos competentes, que são Polícia Militar (PM), Disque Direitos Humanos, Conselhos Tutelares, Sebes e Creas.
Cristiane frisa que o trabalho infantil ainda é visto erroneamente pela sociedade como algo benéfico, porque os pais pensam que as crianças estão mais seguras exercendo alguma função do que andando pelas ruas. “Em primeiro lugar, vem a educação, a cultura e o lazer das crianças”, completa.
Campanha visa ampliar as denúncias na cidade
Na tarde de ontem, integrantes da prefeitura e entidades conveniadas estiveram no Café com Política do JC para lançar a Campanha de Erradicação do Trabalho Infantil, que ocorre anualmente desde 1999. O evento faz parte do roteiro de trabalho do órgão e acontece sempre na semana do dia 12 de junho, Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. “Nós executamos essa política pública com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema e incentivá-la a denunciar”, informa Darlene Tendolo, titular pela Sebes.
Haverá uma passeata de conscientização, que sairá da Praça Machado de Melo, no Centro, hoje, a partir das 14h, e chegará até a Praça Rui Barbosa, ainda no Centro.
Já no dia 9 de junho, a partir das 8h, toda a sociedade também está convidada a participar de uma palestra na Instituição Toledo de Ensino (ITE), localizada na Praça IX de Julho, 1-51, na Vila Pacífico. Na ocasião, haverá uma mesa redonda com a presença do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), que passará as estatísticas levantadas sobre o tema, além de informar as ações de combate executadas pela administração pública.
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Isabela Ribeiro/Divulgação |
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Campanha foi lançada no Café com Política do JC ontem; no dia 12 de junho, comemora-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil |