Em meio a uma avalanche de denúncias de corrupção na escolha da sede da Copa do Mundo de 2022, o comitê executivo da Fifa resolveu discutir apenas uma questão ligada ao Qatar, a situação dos trabalhadores do país.
Segundo comunicado emitido pela entidade, o encontro dos principais dirigentes do órgão, ontem (7), discutiu as iniciativas prometidas pelo país árabe de melhoria na qualidade de vida dos operários que trabalham nas obras do Mundial.
A Fifa disse ainda que irá enviar uma delegação ao Qatar ainda neste ano para vistoria as condições de trabalho.
A entidade tem sido alvo de vários sindicatos internacionais de trabalhadores, que cobram que a instituição utilize sua força política para melhoras as condições sociais dos operários.
Segundo o jornal britânico "Guardian", as obras de infraestrutura do Mundial já haviam matado 382 pessoas até o fim do ano. Já o assunto mais aguardado envolvendo o Qatar acabou deixado em segundo plano.
"O comitê executivo reafirmou sua posição de deixar o comitê de ética completar seu trabalho antes de fazer qualquer comentário", diz trecho da nota enviada pela Fifa.
O comitê de ética é um órgão independente da Fifa, sediado nos Estados Unidos, e presidido pelo promotor Michael Garcia. Encarregado da investigação, ele promete entregar seu relatório sobre o caso em seis semanas.
As suspeitas sobre compra de votos no processo seletivo que escolheu o Qatar como sede do Mundial-2022 voltaram à tona na semana passada quando o jornal britânico "Sunday Times" publicou que um ex-alto dirigente de futebol do país gastou US$ 5 milhões (R$ 11,1 milhões) para conseguir o apoio à candidatura.
Sobre a próxima Copa do Mundo, que começa na próxima quinta-feira (12), o comunicado diz apenas que o comitê executivo "reafirma sua total torcida e confiança de que o Brasil irá organizar" um grande evento.
Inicialmente, as reuniões do comitê executivo estavam previstas para continuar no domingo (8). No entanto, o órgão encerrou sua agenda de discussões já neste sábado e cancelou seu novo encontro.