09 de julho de 2026
Nacional

Governo teme ceder em greve e abrir precedentes, afirmam aliados

Por Gustavo Uribe e Ana Krepp | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O diagnóstico do governo estadual é de que uma concessão aos metroviários, por menor que ela seja, pode abrir o precedente para que outras categorias entrem em greve no período da Copa.

Segundo aliados, nas conversas que teve com o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, na quinta-feira (5) e na sexta-feira (6), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ressaltou que não há condições de retroagir na proposta de 8,7%.

Para fortalecer o discurso da administração estadual, dizem os aliados, o tucano recomendou que fosse apresentado na audiência da Justiça do Trabalho, realizada no fim da tarde de sexta-feira (6), um estudo elaborado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos e pelo Metrô.

No documento, que foi anexado à defesa do governo no processo que julgará a legalidade da greve, a gestão mostra que 8,7% é o índice máximo de reajuste que pode ser concedido sem que sejam comprometidas as finanças da estatal – após a onda de manifestações em junho do ano passado, o governo congelou a tarifa.

Madrugada

As conversas sobre a greve invadiram a madrugada. Ainda eram 4h20 de sexta-feira (6) quando Fernandes ligou para o governador. Os dois haviam se reunido na noite anterior e conversado por telefone, pela última vez, às 22h45 da quinta-feira (5).

Ao se consultar com o Alckmin sobre qual seria a melhor maneira de conter os piquetes armados pelos metroviários em greve, o secretário recebeu a ordem para ser "enérgico, dentro da legalidade".

Em seguida, o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella, foi acionado e enviou reforço policial para fazer a segurança da estação Ana Rosa, onde PMs entraram em conflito com um grupo de grevistas que tentava convencer os colegas a aderirem ao movimento.

"Alckmin me disse que as obstruções físicas devem ser desobstruídas", afirmou Fernandes, que passou a manhã se informando sobre a situação das estações e tentando descobrir onde seriam realizados os próximos piquetes.

Após o confronto, ele decidiu pedir a antecipação do julgamento da ilegalidade da greve – que, porém, foi marcado para este domingo (8). "Queremos resolver logo essa situação. O que vier é para cumprir. Não importa se é favorável ou desfavorável."

Julgamento no TRT decidirá futuro da greve dos metroviários

Um julgamento neste domingo (8), às 10h, decidirá o futuro da greve dos metroviários, que começou na quinta-feira (5). Um grupo de desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho irá definir, entre outros itens, o reajuste salarial da categoria e se a greve é legítima. Os metroviários pedem 12,2% e o Metrô oferece 8,7%.

Caso o TRT decrete a ilegalidade do movimento, a tendência é que os metroviários voltem ao trabalho - o sindicato, porém, diz que submeterá a decisão à categoria em assembleia às 14h.

A greve continuará ao menos neste domingo, segundo o Sindicato dos Metroviários. O Metrô afirma querer a volta ao trabalho dos metroviários e que, por ora, não planeja demissões.